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Ao lançar sétima candidatura, Lula foca em legado além do Bolsa Família e avisa ao Congresso que disputará dinheiro de emendas

Ao lançar sétima candidatura, Lula foca em legado além do Bolsa Família e avisa ao Congresso que disputará dinheiro de emendas

Em busca de um quarto mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou no domingo que pretende dar uma cara nova ao governo caso seja reeleito. Em um discurso improvisado de mais de uma hora durante convenção do partido que oficializou a sua candidatura, no Expo Center Norte, em São Paulo, ele afirmou que não quer ser conhecido apenas como o presidente do Bolsa Família, prometeu deixar um outro legado e avisou ao Congresso que pretende brigar por causa das emendas parlamentares.

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Ao mesmo tempo em que apontou para o futuro, Lula deixou de abordar dois temas importantes para sua campanha: o ajuste fiscal, essencial para recolocar as contas públicas no rumo, e a segurança pública, apontada pelas pesquisas como uma das maiores preocupações dos brasileiros e um dos principais flancos de ataque dos adversários da direita.

Acenos a segmentos

O discurso do presidente foi marcado por acenos a diferentes segmentos do eleitorado, como mulheres (leia mais abaixo) e idosos. Lula — que avisou que tratará do programa de governo no dia 16, quando a campanha começa oficialmente — já manifestou a aliados preocupação de mostrar agora que um eventual quarto mandato não será uma repetição dos anteriores.

— Eu não quero ser mais o presidente só do Bolsa Família. Quero fazer aquilo que a gente ainda não fez — disse Lula.

Lula, então, anunciou compromissos, caso seja reeleito: fortalecer o papel da educação no desenvolvimento do país, criar uma política nacional de cuidados para idosos, ampliar o aproveitamento das terras raras, investir na indústria de defesa e acelerar a transição energética.

A possibilidade de ter uma proposta que indique um legado ao país é considerada um antídoto contra a chamada fadiga de material, que Lula enfrenta por estar há quase 40 anos disputando eleições presidenciais. Parte da população, principalmente os jovens, enxerga o atual presidente como um político antigo. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no dia 24, o petista é rejeitado por 46% da população.

Em uma tentativa de responder a essa percepção, Lula prometeu que, caso eleito, vai “brigar”, ser ”mais ousado”, disputar com o Legislativo o dinheiro das emendas parlamentares e aposentar a versão “paz e amor”.

— Neste quarto mandato vocês vão ver. Eu não quero o Lulinha paz e amor. Quero o Lulinha porreta — disse. — Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que tem o Poder Legislativo.

Lula pediu dedicação dos candidatos e da militância para eleger uma bancada forte na Câmara e Senado. Apesar das críticas, Lula elogiou o Parlamento por ter aprovado projetos de interesse do governo como a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil.

Sucessor

Numa fala direcionada ao ex-ministro Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, o presidente disse que esta é a hora de se pensar no Brasil:

— Qual é o país do futuro que eu vou entregar quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por oito anos, estiver sendo presidente da República.

O petista tentou corrigir o improviso ao dizer que o sucessor também poderia sair do Piauí, do Ceará ou de Pernambuco.

O presidente enfatizou que, se reeleito, investirá recursos na defesa. Indiretamente, ele citou o ataque de tropas americanas à Venezuela para capturar o então ditador do país, Nicolás Maduro:

— Eu quero estar preparado para que ninguém invada esse país para levar o presidente.

O presidente tratou apenas lateralmente a questão da segurança pública. Ao enfatizar a importância da educação, disse ser “candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel do setor no país”. Ele destacou que é mais barato investir na área do que gastar dinheiro com prisão:

— Um preso de uma cadeia de segurança máxima custa R$ 40 mil por mês; um estudante de universidade federal cursando engenharia espacial custa R$ 20 mil. É mais barato investir dinheiro em educação do que gastar dinheiro com prisão. E quem pode ir para a prisão é o jovem, se a gente não der oportunidade.

— Até para namorar, se encontrar uma parceira.

Sobre as terras raras, o petista afirmou que a propriedade é do povo brasileiro, que é “quem tem que lucrar com isso”. Já sobre a transição energética, Lula voltou a defender a soberania:

— O Brasil tem que aprender que nós não somos inferiores a ninguém. Isso é complexo de quem não acredita em si próprio.

Aliados do presidente Lula que discursaram na convenção, destacaram a defesa da soberania nacional como um dos principais temas da campanha. O discurso foi associado às críticas às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao receio de possíveis interferências estrangeiras nas eleições de outubro.

“Urna é competente”

Em seu discurso, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou as tentativas de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro — na semana passada, Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula, atacou as urnas numa reunião com diplomatas. O bolsonarista ficou em segundo plano nos discursos de domingo.

— Quem não acredita no voto popular não deveria nem ser candidato a presidente. A descrença das urnas é cheiro de fumaça de derrota. A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano — afirmou Alckmin, numa provocação à presença do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção de Flávio.

Já o presidente do PT, Edinho Silva, defendeu que a eleição deste ano representa uma escolha sobre o futuro do Brasil e da democracia. Segundo ele, o resultado das eleições brasileiras terá impacto não apenas no país, mas também na América Latina e no cenário democrático internacional.

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