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Após ataques a Flávio, Caiado intensifica estratégia de se opor ao bolsonarismo mirando também Eduardo

Após ataques a Flávio, Caiado intensifica estratégia de se opor ao bolsonarismo mirando também Eduardo

Pré-candidato à Presidência, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) decidiu ampliar a estratégia de rivalizar publicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL), adotada desde o início do mês, e também passou a ter como alvo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O goiano chamou o irmão de Flávio de “Pateta da política brasileira” após a confirmação do tarifaço americano aos produtos nacionais, subindo o tom contra as falas do adversário e de seu entorno.

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As críticas continuaram na quarta-feira, quando Caiado afirmou que o senador abriu mão de discutir os interesses econômicos do Brasil para questionar as urnas eletrônicas durante uma reunião com embaixadores na véspera. “Dava para vender soja, abrir mercado para a indústria, atrair investimento e escolheram falar de urna eletrônica”, escreveu o ex-governador no X.

A troca de farpas se aprofundou com o comentário feito por Caiado sobre a obtenção do “green card”, concedido pelo governo americano, a Eduardo. Em uma publicação, o ex-governador disse que quem precisa do visto “é o produtor brasileiro para entrar no mercado americano”, em referência às novas tarifas. “Precisamos valorizar e fortalecer o agro do nosso país, defender a indústria e proteger os empregos do Brasil”, disse ele, num gesto ao eleitorado ligado ao agronegócio.

Após uma resposta de Eduardo, associando Caiado à “elite de Brasília”, o goiano abriu uma enquete no X para os seguidores: “Quem é o personagem que vive nos Estados Unidos, é todo atrapalhado e sempre que abre a boca faz alguma besteira?”, listando como opções os personagens Mickey, Pateta e Pato Donald. “A diferença é que o Pateta da Disney é atrapalhado, mas bem-intencionado e inofensivo. Já o da política brasileira tropeça nos Estados Unidos, e a queda pode custar caro ao Brasil, atingindo a indústria, as exportações e os empregos!”, acrescentou o presidenciável.

Provocações em série

Antes disso, Caiado já havia condenado a participação de Flávio na audiência pública do Representante Comercial dos EUA (USTR). Na ocasião, o ex-governador fez referência à carta enviada às vésperas do evento por Flávio a autoridades americanas, na qual ele sugere a suspensão das negociações sobre o tarifaço para depois das eleições.

— Isso tem sido uma atitude infeliz por parte do pré-candidato Flávio Bolsonaro, já que este assunto não deve ser tratado apenas no interstício da campanha eleitoral — disse Caiado, durante agenda na Confederação Nacional do Comércio, em Brasília.

Na mesma semana, ele disse em um post nas redes sociais que a candidatura de Flávio estaria “afundando” e que “aliados já começaram a pular fora”, ao compartilhar uma reportagem que dizia que a federação PP-União Brasil teria recuado do apoio presidencial. Caiado também provocou o senador ao dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem tratado o parlamentar como “um peru de Natal, mantendo-o vivo no primeiro turno para entregar e vencer no segundo turno”. “Como ele vai para esse embate se tem tantos problemas?”, questionou. Depois que o senador leu em live uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que provocou a suspensão de suas visitas por decisão do ministro Alexandre de Moraes, Caiado também disse que “liderança não se herda”.

A escalada no tom contrasta com a atitude do presidenciável nos meses que sucederam a sua escolha como pré-candidato pela direção nacional do PSD. Naquele momento, ele concentrava as críticas mais duras em Lula e poupava Flávio, mesmo diante do início das crises que passaram a afetar a campanha do senador. Após as primeiras descobertas sobre a relação entre o parlamentar e Daniel Vorcaro, do Banco Master, Caiado afirmou que ele deveria se explicar, mas divergiu da postura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), também presidenciável, que classificou a atitude de Flávio de pedir dinheiro ao banqueiro para um filme sobre o pai como um “tapa na cara do Brasil”.

Virada de chave

Por trás da recente mudança da estratégia de comunicação de Caiado, há a influência da mulher do ex-governador, Gracinha Caiado (União-GO), como mostrou a newsletter do GLOBO Jogo Político, do jornalista Thiago Prado. Na liderança das pesquisas para a disputa pelo Senado em Goiás, ela passou a alertar o marido sobre o baixo índice de engajamento das suas postagens, focadas até então na discussão de propostas de governo e nos feitos dele no comando do estado. O aviso também coincidiu com a entrada de Marcos Carvalho, ex-estrategista digital de Flávio, na administração das redes sociais do ex-governador, contrariando o que havia sendo pregado pelo marqueteiro da campanha, Paulo Vasconcelos.

A pesquisa Genial/Quaest mais recente mostrou Caiado com 4% das intenções de voto no primeiro turno, numericamente acima de Renan Santos (Missão), que teve 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%, mas distante dos 28% registrados por Flávio e dos 40% de Lula.

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