Depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro sugerir um rompimento “geral” entre PL e Novo, o próprio partido de Romeu Zema aumentou a pressão sobre o presidenciável. Em nota, o diretório do Novo em Santa Catarina informou que, caso não haja uma mudança drástica e imediata na equipe de comunicação do pré-candidato, “deverá se posicionar contrariamente à indicação de Zema como candidato à Presidência”.
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Também na segunda-feira, o diretório da sigla em Santa Catarina desconvidou o ex-governador de Minas de um evento marcado para o início de julho no estado, que representa uma das principais fortalezas do bolsonarismo.
“O Novo Santa Catarina acredita que este é o momento de somar esforços e fortalecer a unidade da direita brasileira. Mais do que disputas entre lideranças que compartilham valores semelhantes, o país precisa de um projeto capaz de unir forças”, diz o diretório (leia a íntegra no pé da reportagem).
A crise entre Zema e a família Bolsonaro, de quem foi apoiador à frente do governo mineiro, começou após a revelação das conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Master, classificadas como “inaceitável” por Zema. Desde então, o mineiro vem alternando entre novas críticas ao presidenciável do PL e recuos pontuais. No último fim de semana, em entrevista ao canal Brasil Paralelo, voltou a subir o tom: disse que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela”.
No último fim de semana, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro reagiu: “Que postura vagabunda, critica Flavio Bolsonaro apenas porque ele queria estar no lugar do Flávio. Por mim rompia geral com o Novo”, publicou.
Ontem, ele voltou a concentrar a artilharia no Novo ao compartilhar a notícia de que a legenda se juntou ao PT e a outras siglas para cassar o mandato de um vereador do PL em Joinville que chamou um colega de “velho gagá”.
Impacto no Sul
O clima tenso preocupa sobretudo os estados do Sul, já que os partidos caminham para formar uma aliança nos três locais da região. Em Santa Catarina, o escolhido para ocupar o posto de vice na chapa do governador Jorginho Mello, do PL, é o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva, do Novo.
Diante desse cenário, o diretório catarinense do partido de Zema anunciou internamente que ele foi “desconvidado” do encontro marcado para o mês que vem. A decisão saiu após deliberação de pré-candidatos e prefeitos. Procurado, o ex-governador de Minas confirmou que foi comunicado do movimento, mas evitou entrar no mérito.
— Sou muito bem recebido pelos catarinenses, tenho um carinho muito especial por eles. Já estive várias vezes no estado e em breve estarei lá novamente — disse.
Também há preocupação com os atritos entre Zema e Flávio nos outros estados do Sul. No Paraná, os ex-artífices da Lava-Jato Sergio Moro (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) estão juntos na corrida pelo governo e pelo Senado, respectivamente. O desenho é parecido no Rio Grande do Sul, com Zucco (PL) candidato ao governo e Marcel van Hattem (Novo) tentando o Senado.
Depois que se posicionou contra Flávio pela primeira vez — decisão tomada após conversas no calor do momento com seu núcleo duro de pré-campanha —, Zema viu as alas mais bolsonaristas do partido fazerem forte pressão. Teve que recuar e dizer que o assunto era página virada.
Segundo avaliação de pessoas próximas, no entanto, o mote de combate aos “intocáveis” adotado pelo presidenciável a fim de se colocar como outsider faz com que ele não possa abrir mão das críticas. É uma forma, dizem, de evidenciar que não representa uma mera linha auxiliar do bolsonarismo, apesar dos anos de parceria com a família Bolsonaro.
Parado na Quaest
O problema, reconhecem, é que o mineiro acaba passando uma imagem confusa aos eleitores, já que oscila entre partir para cima e conciliar com Flávio. Na última pesquisa Genial/Quaest, ele pontuou apenas 2%, metade do mês anterior, apesar da queda de seis pontos do pré-candidato do PL. Ou seja, os votos que seriam do filho de Bolsonaro não migraram para o ex-governador de Minas.
Além do Novo no Sul, quem também acabou prejudicado pelos episódios envolvendo o mineiro e Flávio foi o atual governador de Minas, Mateus Simões (PSD), ex-vice de Zema. Ele viu a possibilidade de contar com o apoio do PL na eleição estadual ficar reduzida.
Leia a íntegra da nota do Novo:
"O Diretório Estadual do NOVO Santa Catarina, após conversa e alinhamento com os principais dirigentes e mandatários da sigla no estado, decidiu não manter o convite ao pré-candidato Romeu Zema para participar do Encontro Estadual do NOVO SC, que será realizado no dia 04/07, em Joinville.
Da mesma forma, informamos que, se não houver uma mudança drástica e imediata na equipe de comunicação do pré-candidato, o Diretório Estadual de Santa Catarina deverá se posicionar contrariamente à indicação de Romeu Zema como candidato à Presidência da República pelo NOVO durante os processos internos do partido.
Essa decisão decorre da avaliação de que o atual momento político exige esforços voltados à união da direita brasileira em torno de um objetivo maior: construir uma alternativa forte e competitiva para derrotar o PT e retirar a esquerda do poder em 2026. Entendemos que esse desafio exige convergência, diálogo e foco naquilo que realmente importa para os brasileiros: mais oportunidades, geração de empregos, segurança, redução do custo de vida e um país que volte a crescer.
O NOVO Santa Catarina acredita que este é o momento de somar esforços e fortalecer a unidade da direita brasileira. Mais do que disputas entre lideranças que compartilham valores semelhantes, o país precisa de um projeto capaz de unir forças para promover as mudanças que o Brasil necessita.
Reafirmamos nosso respeito à trajetória e aos resultados alcançados por Romeu Zema em sua gestão. O posicionamento do Diretório Estadual possui caráter institucional e reflete uma avaliação política sobre o caminho que entendemos ser mais adequado para contribuir com a união da direita brasileira e para a construção de uma alternativa vitoriosa em 2026."
- Romeu Zema