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Após crise com Michelle, Flávio vai ao Ceará orientado a evitar conflito e escala Priscila Costa para mobilizar mulheres

Após crise com Michelle, Flávio vai ao Ceará orientado a evitar conflito e escala Priscila Costa para mobilizar mulheres

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desembarca nesta sexta-feira no Ceará para sua primeira agenda política após retornar dos Estados Unidos, orientado por aliados a não fazer referências públicas à crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A avaliação do entorno do senador é que o episódio deve permanecer como uma página virada, enquanto ele concentra o discurso em temas considerados prioritários para a pré-campanha, como segurança pública, críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente no Nordeste, e propostas voltadas ao eleitorado feminino.

A agenda marca o retorno de Flávio justamente ao estado onde teve início o racha com Michelle. O senador participa, em Fortaleza, do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), ao Senado. O evento reunirá ainda os pré-candidatos do partido à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa do Ceará.

Mais do que lançar oficialmente as candidaturas do partido, o ato passou a ser tratado pela campanha como um teste para medir se o PL conseguirá virar a página da crise aberta entre Flávio e Michelle justamente no estado onde ela começou. A orientação transmitida ao senador é evitar qualquer comentário sobre o conflito e reforçar a imagem de unidade da legenda.

Interlocutores afirmam que Flávio encarregou a vereadora Priscila Costa (PL-CE), pivô da crise, de coordenar a mobilização feminina para o evento. Segundo relatos feitos ao GLOBO, ela ficou responsável por organizar a participação das mulheres no ato, gesto interpretado por aliados como uma tentativa de demonstrar que o rompimento com Michelle não contaminou toda a rede política construída pela ex-primeira-dama.

O gesto também busca reduzir um desgaste simbólico. Foi justamente a candidatura de Priscila ao Senado que desencadeou o rompimento público entre Michelle e Flávio. A ex-primeira-dama defendia que a vereadora fosse a candidata do PL à vaga, enquanto o senador conduziu as negociações que resultaram no apoio do partido à pré-candidatura de Alcides Fernandes, como parte do acordo firmado com o PSDB do ex-governador Ciro Gomes no estado.

Apesar da tentativa de pacificação, o impasse político que deu origem à crise continua sem solução. Priscila mantém a pré-candidatura ao Senado e seus aliados defendem que o PL preserve seu nome na disputa até o prazo final para registro das candidaturas. O grupo argumenta que o acordo costurado no ano passado previa duas candidaturas do partido ao Senado e resiste à decisão de abrir uma das vagas para acomodar a aliança com o PSDB. A palavra final caberá ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Em contrapartida, aliados de Flávio afirmam que ela deve concorrer à Câmara dos Deputados.

Michelle não deve ir ao Ceará

A indefinição também alcançou o evento desta sexta-feira. Inicialmente, a expectativa era que Michelle e Flávio dividissem o mesmo palanque no lançamento das candidaturas do partido no Ceará. Depois do rompimento, porém, a presença da ex-primeira-dama passou a ser considerada improvável. Até esta quinta-feira, interlocutores afirmavam que ela ainda não havia cancelado oficialmente a agenda, mas reconheciam que a tendência era de ausência para evitar novos desgastes.

A divergência extrapolou o Ceará depois que Michelle publicou um vídeo acusando o grupo político de André Fernandes de trabalhar para retirar Priscila da disputa e questionou por que a vaga não havia sido cedida pelo próprio pai do deputado. Na mesma gravação, afirmou ter sido humilhada e desrespeitada por Flávio.

Dias depois, Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher, aprofundando a crise entre os dois. Desde então, aliados do senador passaram a trabalhar para reduzir o desgaste provocado pelo episódio e reconstruir pontes com parte das lideranças femininas ligadas à ex-primeira-dama.

Embora seja considerada uma das principais aliadas de Michelle e ocupe a vice-presidência nacional do PL Mulher, Priscila tem adotado um discurso de pacificação. Na semana passada, publicou um vídeo afirmando que não iria “alimentar qualquer tipo de conflito” e defendeu a união do campo conservador.

— Quem luta pela mesma causa, mesmo que em algum momento possa machucar ou se ferir, não pode ficar enfraquecido no meio do caminho enquanto o verdadeiro inimigo se fortalece. Agora precisamos unir forças — afirmou.

Na mesma manifestação, a vereadora elogiou Michelle e a liderança exercida por ela à frente do PL Mulher, mas ressaltou que Flávio tem a responsabilidade de conduzir “esse momento da nação de reconstruir o Brasil”.

A postura já havia ficado evidente dias antes, quando Priscila participou da reunião promovida por Flávio com parlamentares e lideranças femininas em Brasília, mesmo após Michelle recusar o convite para comparecer ao encontro. No evento, a vereadora afirmou que o governo Jair Bolsonaro deixou um legado na defesa das mulheres e declarou que Flávio daria continuidade a esse trabalho.