Com três candidaturas de direita competitivas ao Senado em São Paulo, o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, frisou em evento neste sábado (8) que os nomes da chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) são os "dois únicos" que têm seu apoio.
O gesto foi feito em um palanque em Itapetininga, no interior do estado, ao lado de André do Prado (PL-SP), presidente da Assembleia Legislativa (Alesp) e Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de segurança, que disputam as duas vagas pela chapa. Também representante do eleitorado conservador, o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) corre por fora na disputa.
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— Temos aqui dois craques que são do time Bolsonaro que são nossos únicos dois senadores aqui em São Paulo — afirmou Flávio. — Não podemos cogitar dividir as nossas atenções para o Senado sob o risco de entregarmos uma vaga para a esquerda.
A declaração foi dada uma semana após os resultados de algumas das primeiras pesquisas de intenção de voto apontarem os dois em posições ruins. Na Genial/Quaest, eles aparecem atrás de Marina Silva (REDE) e Simone Tebet (MDB).
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A pesquisa apontou um eleitorado ainda muito dividido na direita, que também tem como pré-candidatos Salles e Pablo Marçal (União), este último condenado à inelegibilidade.
A disputa pelas vagas no Senado dominada por mulheres ocorre num contexto em que Flávio enfrenta dificuldades com o voto feminino. O candidato aproveitou para fazer acenos ao segmento, afirmando, por exemplo, que pretende indicar “homens e mulheres” para o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito:
—O próximo presidente indica quatro ministros do STF e vou colocar lá homens e mulheres, que respeitam a Constituição, que não usem a máquina para enriquecer, que não promovam perseguição, que não façam mais com nenhum brasileiro o que eles fizeram com Jair Bolsonaro. A lei tem que valer para todos, inclusive para ministro do STF.
O evento onde foi feita a declaração, batizado "Café Entre Elas", foi promovido pela deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), ex-prefeita da cidade. Anunciado para "discutir políticas públicas para as mulheres, com as mulheres", contou com quatro homens e só uma mulher em seu cartaz de divulgação. Ao iniciar com mais de uma hora de atraso, o palco tinha maioria masculina, e a deputada foi a única voz feminina a discursar.
Além de Flávio, da anfitriã, e dos candidatos a senador, falou no palanque o deputado Maurício Neves, presidente do PP, que defendeu o voto em André do Prado como um defensor do "municipalismo" para os prefeitos da região. Esse termo foi popularizado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ao justificar a apropriação de orçamento do poder Executivo pelo Legislativo dentro do esquema que ficou conhecido como orçamento secreto.
O encontro em Itapetininga foi o primeiro evento de fim-de-semana em que o senador compareceu desde que anunciou o candidato a vice-presidente em sua chapa, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). Ex-secretário de segurança de Alagoas, o parlamentar ganhou o posto na campanha após uma tentativa frustrada de Flávio de conseguir uma mulher como vice.
Desafio pós-Michelle
O voto feminino tem sido um desafio para o candidato nas pesquisas, especialmente depois de Michelle Bolsonaro (PL-DF), sua madrasta, tê-lo criticado em um vídeo. A ex-primeira-dama selou as pazes com o Flávio de maneira protocolar depois do episódio, mas tem evitado aparecer em público com o enteado.
Com dificuldade de articular eventos com o PL Mulher, programa do partido liderado por Michelle para atrair candidaturas femininas, Flávio fez seu primeiro evento voltado a mulheres com o PP, que tem sua própria iniciativa de gênero, o Mulheres Progressistas, do qual Marquetto faz parte.
O partido, que não fechou aliança com o PL para palanques nacionais, também não tem mulheres concorrendo a cargos majoritários em São Paulo. Marquetto anunciou que não vai tentar se reeleger na Câmara e vai concentrar seu foco na campanha de Flávio.
— Hoje a minha grande missão, aquilo que eu mais quero, é fazer Flávio Bolsonaro nosso presidente da República — afirmou.
O evento em Itapetininga, apesar da maioria masculina no palco, conseguiu atrair algum público feminino presencialmente. Vários prefeitos e uma prefeita de cidades do sudoeste de São Paulo compareceram ao palco sem discursar. Transmitido nas redes sociais em canal de Marquetto, porém, o ato político teve pouca audiência online, com 22 duas pessoas assistindo o vídeo durante o discurso de Flávio.
Prado foi o primeiro a falar no evento. Apontado como membro do "Centrão" e "apadrinhado de Valdemar Costa Neto" por concorrentes da direita como seu adversário Salles, fez acenos ao bolsonarismo.
— Quem quer ver o capitão livre? Quem quer? Todos nós queremos — disse Prado, em referência a Jair Bolsonaro. — O nosso país está sangrando, está sofrendo. Por isso estamos todos juntos (...), para que Flávio Bolsonaro possa ser o próximo presidente.
Em aceno ao aliado, Derrite também defendeu ação contra o que considerou "abusos" do Supremo Tribunal Federal (STF) ao condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentar golpe de Estado.
— Flávio, quando o presidente Bolsonaro escolheu o seu nome para dar continuidade no legado dele, que lamentavelmente foi interrompido porque muita gente jogou fora das quatro linhas, muita gente de vários setores, de vários poderes, jogaram sujo contra a nação brasileira — afirmou. — O Senado Federal tem que ter a responsabilidade de exercer o seu papel constitucional, de acabar com esses abusos do poder judiciário.
O ex-secretário de segurança aproveitou o evento em Itapetininga para repetir seu discurso principal de campanha, propondo política de linha dura no setor. Seu jingle de apresentação fala em "direitos humanos para quem é de bem" e, no palco, ele voltou a usar seu passado como policial militar.
— Eu estou há 24 anos trocando tiros com o crime organizado, e eu não tenho medo de nada — disse Derrite.
Guerra santa e narcoterrorismo
O discurso de Derrite foi preâmbulo para um anúncio de Flávio Bolsonaro de que vai espelhar a decisão dos Estados Unidos de incluir facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma lista própria de organizações terroristas.
— Eu vou declarar guerra ao narcotráfico aqui no Rio de Janeiro. Eles vão ser classificados e tratados como terroristas — disse Flávio. — Vou recuperar os territórios que hoje eles dominam e onde impõem a sua própria lei, o seu próprio governo paralelo a mais de 50 milhões de irmãos e irmãs brasileiros.
Com uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida no palanque ao lado dos políticos, Flávio também retomou o discurso religioso e moral para atrair votos de fiéis católicos. A exemplo do que Michelle costuma fazer mencionando as eleições brasileiras como disputa do "bem contra o mal", o candidato comparou o PT a demônios e disse que, se eleito, vai fazer uma oração antes discursar na posse.
— Eu vou fazer uma oração entregando a nação brasileira às mãos do senhor Jesus — afirmou. — Eu quero trabalhar para resgatar almas. O Brasil está doente na sua alma, e é uma crise moral generalizada, porque o mau exemplo vem de cima, de um governo que parece que faz pacto com um demônio. Nós vamos expulsar esses demônios e essas potestades daquela praça dos três poderes em Brasília.