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Avanço de investigação da PF sobre suposto desvio de cota parlamentar distancia Sóstenes de candidatura ao Senado, avaliam integrantes do PL

Avanço de investigação da PF sobre suposto desvio de cota parlamentar distancia Sóstenes de candidatura ao Senado, avaliam integrantes do PL

O avanço da investigação da Polícia Federal sobre o suposto desvio de cota parlamentar pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), deve inviabilizar a possibilidade de uma candidatura ao Senado, avaliam integrantes do partido.

O parlamentar não foi alvo direto da operação desta manhã, mas a PF apura se os R$ 468 mil em dinheiro vivo apreendidos em um endereço dele em dezembro de 2025 são fruto de desvios. Sóstenes alegou na ocasião que o montante era resultado da venda de um apartamento, mas a PF aponta contradições nesta versão.

Há pouco mais de um mês, após o então governador Cláudio Castro desistir da disputa pelo Senado em meio a operações da Polícia Federal, Sóstenes passou a ser visto por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o principal favorito para herdar a vaga na chapa.

À época, interlocutores da legenda apontavam como trunfos do deputado sua forte ligação com o eleitorado evangélico, a influência junto a prefeitos do interior do estado e a proximidade com o núcleo mais fiel do bolsonarismo.

Publicamente, porém, Sóstenes evitava tratar a candidatura como um projeto pessoal. Na época, o líder do PL afirmava a interlocutores que era um "soldado do partido" e que cumpriria a missão que lhe fosse atribuída pela legenda, negando que estivesse trabalhando para conquistar a vaga ao Senado. Aliados próximos ao parlamentar, contudo, afirmam que esse não era o caso e que Sóstenes estaria interessado, sim, na vaga.

Com a saída de Castro após o ex-governador também ser alvo da PF em outra operação e sob suspeitas de relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, abriu-se uma disputa interna pela indicação. Além de Sóstenes, passaram a ser considerados o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) e o senador Carlos Portinho (PL-RJ).

Jordy também foi alvo da PF junto com Sóstenes no fim do ano passado, mas interlocutores do partido afirmam que o novo avanço das apurações acabou pesando de forma mais intensa sobre o nome de Sóstenes.

O novo desdobramento da investigação é considerado especialmente sensível porque a PF passou a apurar se houve tentativa de dar aparência de legalidade ao quase meio milhão de reais apreendidos no fim do ano passado. Nesta quarta-feira, a operação teve como alvos pessoas ligadas ao deputado, entre elas o comprador do imóvel cuja venda foi apresentada por Sóstenes como justificativa para a origem do dinheiro.

A investigação também apura suspeitas de fraude processual, além de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Operação da PF

O deputado do PL foi alvo no ano passado de uma operação da PF que apurava desvio de cotas parlamentares. Na época, a corporação apreendeu R$ 468 mil dentro de um saco de lixo no armário de um flat alugado por ele em Brasília. Segundo o deputado, o montante vinha da venda de um imóvel e que não teria sido depositado por conta da “correria”.

—O valor encontrado é oriundo de contrato limpo, venda de um imóvel. Quem quer viver de dinheiro de corrupção não mantém dinheiro lacrado. É dinheiro lícito — disse Sóstenes à época. — Eu vendi um imóvel e recebi em dinheiro lacrado, é declarado em meu Imposto de Renda. Eu recebi o dinheiro recentemente e, com a correria do trabalho, acabei não fazendo o depósito.

Em manifestação horas após a operação desta manhã, Sóstenes negou irregularidades e afirmou que nenhum de seus advogados foi alvo:

— Uma dessas pessoas foi o comprador do imóvel (ao qual atribuo a origem do dinheiro em espécie). Nenhum dos alvos é meu advogado. Podem fazer operação à vontade, quem não deve não teme — afirmou.