Integrantes do PL baiano utilizam críticas do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) ao senador Flávio Bolsonaro para pressionar o pré-candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União) a apoiar o filho de Jair Bolsonaro na corrida pelo Planalto. O objetivo é contornar a decisão do ex-prefeito de Salvador de pedir voto para Caiado no primeiro turno, em um cenário no qual Flávio enfrenta dificuldade para fechar palanques no Nordeste.
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Nos bastidores, há um acordo entre a equipe de ACM e os dirigentes do PL sobre a eleição baiana. Foi decidido que ACM apoiaria Caiado em um primeiro turno, mas haveria a possibilidade de uma união com Flávio no caso de um segundo turno do senador contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT tem o atual governador Jerônimo Rodrigues como candidato à reeleição — pesquisas recentes mostram um cenário de empate técnico entre o petista e o ex-prefeito de Salvador.
No entanto, membros do diretório baiano do PL tentam formalizar um palanque para Flávio já no primeiro turno e resgataram falas recentes de Caiado contra o senador. Em uma publicação feita no X na semana passada, o goiano escreveu que "o barco está afundando e os aliados já começaram a pular fora" ao comentar uma matéria jornalística que dizia que o União Brasil e o Progressistas não devem apoiar o candidato do PL na corrida presidencial.
Já em entrevista à CNT, também na semana passada, Caiado disse que Lula cuida de Flávio como se fosse “um peru de Natal”. Raíssa Soares, que disputou o Senado em 2022 e é pré-candidata à Câmara neste ano, afirma que o goiano “parece gastar mais energia tentando atacar a família Bolsonaro do que enfrentando Lula”.
— Caiado comparou Flávio a um “peru de Natal” que Lula estaria cuidando para o segundo turno. É assim que o candidato de alguns revela sua prioridade: atacar o legado de Bolsonaro, em vez de enfrentar o PT de verdade — afirma Soares.
Até o momento, aliados apostam na vinculação com João Roma, pré-candidato ao Senado, para fortalecer a campanha de Flávio na Bahia. O presidente estadual do PL compõe a chapa de ACM Neto.
Estratégia eleitoral
Como forma de evitar a nacionalização do debate estadual, ACM Neto vem intensificando ataques contra Jerônimo, sobretudo nos campos da economia e do combate à criminalidade. O ex-prefeito de Salvador afirma que a gestão petista “perdeu o controle da segurança pública” na Bahia.
Especialistas ouvidos pelo GLOBO avaliam que o posicionamento de ACM Neto deriva da avaliação de que a nacionalização do debate a partir do bolsonarismo não compensa eleitoralmente no Nordeste.
A rodada mais recente da pesquisa Genial/Quaest na Bahia, de abril, mostrou ACM Neto e Jerônimo empatados tecnicamente na disputa de primeiro turno. O representante do carlismo aparece com 41% das intenções de voto, enquanto o petista alcança 37%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
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