O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta terça-feira (2) que observa a militância bolsonarista “de cabeça baixa” por conta das sanções aplicadas pelo governo americano e das relações descobertas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), provável adversário do presidente Lula este ano.
— Eles estão desorganizados com toda a confusão que armaram. É Trump de um lado, Master do outro. Quando você vai numa cidade do interior que antes tinha blitz bolsonarista ameaçando na porta da cidade, acabou isso aí, não tem mais, está tudo mais quietinho. Eles ainda são valentes na rede social, mas no presencial, estão todos de cabeça baixa, porque eles sabem o que fizeram com o país — declarou o petista.
De acordo com áudios e vídeos em posse da Polícia Federal, Flávio pediu uma contribuição de R$ 134 milhões ao banqueiro, atualmente preso sob a suspeita de montar um esquema de fraudes financeiras e de aliciamento a agentes públicos. O dinheiro, destinado a um fundo com sede nos Estados Unidos, teria sido usado para a produção do filme "Dark Horse", ainda não lançado, que enaltece a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No caso de Trump, a referência passa pelo novo "tarifaço" sugerido pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos às exportações brasileiras. O relatório da investigação comercial foi concluído nesta terça-feira (2) e acusa o Brasil de restringir a concorrência interna aos produtos americanos. A notícia veio uma semana após um encontro entre o republicano e Flávio Bolsonaro na Casa Branca. O senador, contudo, alega ser contra a medida.
Haddad participou, na noite desta terça-feira (2), de um debate sobre o plano de governo no Sindicato dos Engenheiros, em São Paulo, voltado para políticas de habitação. Ao longo do discurso, alfinetou o filho de Bolsonaro outras vezes, ao dizer, por exemplo, que os paulistas querem moradia digna, mas não precisam de “mansão”. Flávio adquiriu uma casa em Brasília no valor de R$ 5,97 milhões, em 2021.
Ele também procurou associar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição, a Jair Bolsonaro e movimentos de extrema direita. Haddad afirmou que terá de apresentar um plano de “união e reconstrução” em nível estadual, como ocorreu no terceiro mandato de Lula, criticou a privatização da Sabesp, empresa de saneamento que estaria agora nas mãos de “administradores abutres”, e chamou o opositor de “neoliberal acabando com o caixa do estado”.
— Eu falo com policial e os caras falam mal do Tarcísio, falo com prefeito e os caras falam mal do Tarcísio, falo com professor e os caras falam mal do Tarcísio. Aí hoje ele perguntou para os prefeitos: “Vocês não gostam de mim?” E os caras falaram: “Não, a gente gosta”. Ele diz: “Tá vendo, o Haddad inventando coisa”. Imagina se isso tem cabimento. Como diz o Ariano Suassuna, a gente é educado e só fala mal pelas costas.
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