UNO MEDIA

Caso Master: PF diz que pai de Vorcaro atuava como operador financeiro de 'braço armado' do esquema

Caso Master: PF diz que pai de Vorcaro atuava como operador financeiro de 'braço armado' do esquema

A Polícia Federal (PF) atribui ao empresário Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o papel de operador financeiro da "Turma", o "braço armado" da suposta organização criminosa comandada pelo ex-dono do banco Master. Henrique Vorcaro foi preso na manhã desta quinta-feira em nova fase da Operação Compliance Zero, revelada em primeira mão pela colunista do GLOBO Miriam Leitão.

  • Diretor da PF: 'PF não protege, nem persegue, age com autonomia, e corta na própria carne quando necessário'
  • Após crise de Flávio, pressão por CPI do Master une governo e oposição

Segundo os investigadores, Henrique é também "demandante e beneficiário" do grupo que era responsável por intimidar os supostos adversários de Vorcaro. O inquérito aponta que a "Turma" recebia R$ 400 mil mensais, que eram divididos entre seis integrantes.

Os investigadores dizem que o grupo não atuava somente para intimidação ou cobrança, mas também para obter informações sigilosas sobre investigações de interesse direto de Henrique. Para a PF, tal cenário "amplia significativamente a gravidade" da vinculação do pai de Vorcaro ao grupo.

A PF identificou conversas mantidas entre Henrique e o policial federal aposentado Marilson Roseno, suposto líder da 'Turma', alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. A corporação diz que Henrique Vorcaro continuou "providenciando recursos para a manutenção do grupo" mesmo após o início das investigações sobre o escândalo Master. De acordo com o inquérito, as mensagens citam "repasses vultosos".

Uma das conversas é datada no início deste ano. No dia 6 de janeiro, Marilson desejou feliz ano novo a Henrique e pediu que o empresário não o "deixasse à deriva". O policial aposentado afirmou ainda que estava “segurando uma manada de búfalo” e que precisava do pagamento combinado. Em resposta, Henrique respondeu que receberia recursos nos dias seguintes e que, assim que isso ocorresse, “imediatamente” enviaria “400”.

Marilson então contestou, indicando que o o ideal seria o envio de “800k”, envolvendo “Phillipi” e considerando que “F” estaria repassando apenas metade do valor. A Polícia Federal entende que 'Phillipi' seria uma referência a Luiz Phillipi Mourão, o 'Sicário' que se suicidou após ser preso; e F "provavelmente" seria Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

A Polícia Federal ainda diz que é suspeito que as conversas trocadas entre Marilson e Henrique após primeira fase da operação, foram deletadas do aparelho do policial aposentado. Também chamou atenção para o fato de o empresário trocar o número do telefone com frequência e, perto da deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, ter passado a utilizar número estrangeiro, registrado na Colômbia.

A PF ainda suspeita suspeita de reuniões da "Turma" com Henrique e Daniel Vorcaro dias antes da prisão do banqueiro. Segundo a corporação, no dia 1 de março deste ano, Marilson convocou um dos integrantes do "braço armado" para uma reunião reservada em sua casa. No dia seguinte, Marilson se encontrou com 'Sicário' no carro deste último, que, em seguida, ligou para Henrique Vorcaro.

Ao analisar, em conjunto, as mensagens, registros telefônicos e os relatos de monitoramento externo do encontro, os investigadores concluíram que a reunião envolveu, no mínimo, Henrique, Marilson, Sicário e mais dois integrantes da Turma.

No dia seguinte, 3 de março, Marilson informou à esposa que estava na empresa One Investimentos em reunião com “H”, que a PF suspeita se referir a Vorcaro. Pouco depois, Marilson voltou a contatar um dos integrantes da turma, o que, para a PF, sugere que as informações recebidas no encontro eram repassadas para o núcleo criminoso.

Nova operação

As revelações fazem da ação deflagrada nesta quinta-feira que mira em um grupo de três hackers na nova fase da Operação Compliance Zero. Eles atendiam a demandas da estrutura chamada "A Turma", suspeita de intimidar e vigiar desafetos e acessar informações sigilosas de processos judiciais em curso a mando do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

A PF coletou provas da atuação desse grupo a partir do material apreendido com o empresário Luiz Phillipi Mourão, apelidado de "Sicário", que era o responsável por operacionalizar as ações da "Turma". Ele tentou se suicidar após ser preso na operação Compliance Zero deflagrada em abril – a mesma que também deteve Vorcaro. Mourão foi encontrado desacordado na cela e morreu dias depois no hospital devido ao tempo em que ficou sem oxigenação no cérebro.

Além dos hackers, a PF prendeu preventivamente Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, e um agente da PF suspeito de fazer parte do grupo "A Turma". Uma delegada da corporação também foi alvo de busca e apreensão. Os dois estavam na ativa e foram afastados do cargo.

Os investigadores apontam que Henrique Vorcaro também passava serviços a Sicário, com quem mantinha contato.

Ao todo, a PF cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. As ordens foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master na Corte.

Em nota a PF, informou que investiga uma organização criminosa suspeita de praticar "condutas de intimidação, de coerção, de obtenção de informações sigilosas e de invasões a dispositivos informáticos". Os crimes investigados são ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, violação de sigino funcional e invasão de dispositivos informáticos.