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Celina Leão não garante candidatura de Michelle, mas diz que 'vai trabalhar' para que ela concorra ao Senado

Celina Leão não garante candidatura de Michelle, mas diz que 'vai trabalhar' para que ela concorra ao Senado

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), voltou a defender, nesta quinta-feira, que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) concorra ao Senado em sua chapa. Apesar do desejo, a pré-candidatura de sua aliada é incerta. Michelle lidera as pesquisas de intenção de voto, mas nunca tratou publicamente sobre a disputa eleitoral. A empreitada política ganhou ainda mais dúvidas após o desgaste da ex-primeira-dama com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, o que motivou Michelle a deixar o comando nacional do PL Mulher.

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— Nossa expectativa é que ele seja candidata. Ela é um ativo muito importante, está em primeiro nas pesquisas — declarou Celina, em entrevista concedida ao Metrópoles.

Amiga íntima de Michelle e pré-candidata à reeleição, a governadora tem em sua chapa, até o momento, a deputada federal Bia Kicis (PL), pré-candidata ao Senado. A vaga para vice ainda está em aberto, e depende de negociações com o Republicanos e o MDB.

A incerteza sobre a candidatura de Michelle ganhou força no último mês, quando ela divulgou um vídeo em que alega ter sido "maltratada" e "desrespeitada" por Flávio devido a discordâncias na formação do PL no Ceará. O senador defende a aliança formada com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo estadual, o que a ex-primeira-dama é contra.

— É uma candidata (Michelle) que tem a preferência dos brasilienses. Nós somos poucas mulheres, a gente precisa participar da política. A ideia é que ela participe, mas isso vai depender dela. No que depender de mim, vou trabalhar para que ela realmente seja a nossa candidata — completou Celina.

No início deste mês, o presidente Nacional do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a afirmar que não acredita que Michelle irá disputar as eleições. Segundo o líder partidário, a ex-primeira-dama disse a ele, "muito determinada", que "não deve ser candidata ao Senado".

'Meu candidato é o Flávio', diz Celina

Como mostrou o GLOBO, em vez de comandar institucionalmente o segmento feminino do partido, Michelle passou a reorganizar sua atuação em torno de uma rede de candidatas, campanhas estaduais, lideranças religiosas e do movimento "Imparáveis", criado para preservar a influência construída entre mulheres conservadoras e evangélicos mesmo sem ocupar um cargo formal na legenda.

A desavença com a madrasta fez Flávio traçar estratégias para ganhar força entre o eleitorado feminino. Ontem, o senador lançou o programa "Brasil Por Elas", que prevê ações voltadas para a proteção das mulheres, com foco em capacitação e combate à violência de gênero.

Embora tenha abordado a preferência por Michelle, Celina, na mesma entrevista, ressaltou que será o palanque do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Distrito Federal.

— Meu candidato é o Flávio, PL. Nós estamos coligados com o PL. Nosso candidato à Presidência é o Flávio — afirmou a governadora.

Racha com Ibaneis

Sem espaço na chapa de Celina devido à preferência por Michelle, o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) anunciou, no início deste mês, que desistiu de concorrer a uma vaga ao Senado. Em maio, ele e a atual governadora Celina Leão (PP) foram às redes sociais para anunciar o rompimento da aliança política.

Celina assumiu o comando do Distrito Federal em março, quando o ex-governador deixou o cargo para cumprir o prazo de desincompatibilização. O racha foi divulgado por meio de um vídeo publicado por Ibaneis, que alegou ter tido "muitas decepções" com Celina. A governadora, por sua vez, respondeu dizendo que "sucessão nunca será submissão".

— Foi uma decisão de foro íntimo, pessoal. Ele colocou que queria cuidar da vida dele, dos familiares. É uma decisão tomada em cima da análise pessoal dele — disse Celina ao Metrópoles.

Corrida eleitoral

No PL, o senador Izalci Lucas, escanteado na disputa pela reeleição, decidiu lançar sua pré-candidatura ao governo mesmo sendo desautorizado pelas lideranças locais. O parlamentar investe em constantes críticas a Celina nas redes sociais e utiliza o BRB para enfraquecer a provável aliança da sigla com a governadora.

Na esquerda, o pré-candidato ao governo pelo PT é Leandro Grass. Ele conta com o apoio de PSOL, Rede, PDT, PV e PCdoB. Em sua chapa, concorrerão ao Senado Leila do Vôlei (PDT), em busca da reeleição, e a deputada federal Erika Kokay (PT).

A indefinição está pela vaga ainda em aberto para a vice, oferecida ao PSB. O entrave é que o partido aliado já conta com a pré-candidatura de Ricardo Cappeli, que recusou as investidas para se unir ao PT.

Na direita, ainda há o nome do ex-governador José Roberto Arruda, do PSD, que busca voltar ao Palácio Buriti. Ele está inelegível após ser condenado por receber propina, mas pode entrar na disputa caso o Supremo Tribunal Federal (STF) não derrube as mudanças feitas na Lei Ficha Limpa. O julgamento está suspenso na Corte desde maio por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

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