Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram nesta quarta-feira uma nota pública conjunta em defesa do diretor-geral Andrei Rodrigues, em meio ao desgaste entre a instituição e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de investigações de grande repercussão que são conduzidas pela PF.
No texto, os superintendentes afirmam que a PF, ao longo de seus 82 anos de história, consolidou-se como uma instituição de Estado comprometida com a Constituição, a legalidade, a imparcialidade e a defesa do Estado Democrático de Direito.
A nota diz que a credibilidade da corporação "decorre da atuação técnica e independente de seus servidores, orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico". "A atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei", pontuou o texto.
Os superintendentes também afirmam é preciso preservar a independência técnica das investigações e a autonomia administrativa da PF. De acordo com o texto, essas garantias existem "em benefício da sociedade e da correta aplicação da lei".
"Tais garantias existem em benefício da sociedade e da correta aplicação da lei. O debate público e as críticas legítimas são próprios da democracia, mas não quando voltados ao enfraquecimento da credibilidade e da confiança que a sociedade deposita nas instituições republicanas", ressaltou.
Ao final, os 27 superintendentes regionais reafirmam confiança na direção da PF.
A manifestação ocorre após o aumento da tensão entre a PF e o gabinete de André Mendonça durante a tramitação do pedido de abertura de inquérito para investigar Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Ao solicitar a investigação, a PF sustentou que os fatos apurados eram distintos daqueles investigados na Operação Sem Desconto e, por isso, não havia conexão que justificasse a prevenção do ministro.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com esse entendimento, e Alexandre de Moraes determinou a distribuição do procedimento por sorteio. O sistema eletrônico, contudo, sorteou o próprio André Mendonça para a relatoria.
Nos bastidores do STF, a posição da PF de que não havia conexão entre os casos foi interpretada por integrantes da Corte como uma tentativa de afastar o ministro da condução do processo, avaliação que contribuiu para aprofundar o desgaste entre a corporação e o gabinete de Mendonça.
Fontes da PF ouvidas pelo GLOBO afirmaram que alguns episódios geraram preocupação internamente. Um deles é a determinação recente do ministro André Mendonça para que a corporação o informe sobre qualquer mudança realizada na equipe do inquérito que investiga as fraudes do INSS. Além disso, ainda em fevereiro, gerou incômodo a determinação do ministro de que informações sigilosas envolvendo a investigação do caso Master não fossem compartilhadas com o chefe da PF.
Apesar de a principal queixa envolver Mendonça, casos mais antigos também são citados, como o de janeiro deste ano, quando o ministro Dias Toffoli, então relator do caso Master, determinou que a PF enviasse à Corte os dados de todos os celulares e computadores apreendidos e periciados na investigação na íntegra.