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Cinco meses após indicação ao STF, Messias se reúne com Alcolumbre por apoio no Senado

Cinco meses após indicação ao STF, Messias se reúne com Alcolumbre por apoio no Senado

Depois de cinco meses de espera, o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa está marcada para quarta-feira.

O encontro entre Messias e Alcolumbre, que aconteceu na semana passada, também teve a participação dos ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, e do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo GLOBO por pessoas que acompanham a articulação.

O encontro ocorreu em Brasília e foi articulado por interlocutores em comum. De acordo com relatos feitos por aliados de Messias, a conversa foi direta, mas sem compromissos políticos explícitos por parte de Alcolumbre.

Procurada, a assessoria de Alcolumbre afirmou que não vai se manifestar sobre o encontro. Messias não comentou.

Nos bastidores, integrantes do entorno do presidente do Senado relatam que a reunião ocorreu na casa de um interlocutor em comum, em um ambiente privado e informal, e com a presença de convidados fora da política. A interlocutores, Alcolumbre disse ter sido surpreendido com a presença do indicado no local.

Messias teria aproveitado a ocasião para pedir apoio diretamente a Alcolumbre, que ficou em silêncio inicialmente, gerando desconforto. Em seguida, evitou assumir compromisso com a indicação, mas indicou que garantiria um ambiente tranquilo para a tramitação.

Alcolumbre também não fez qualquer aceno público de apoio nem se dispôs a atuar pela liberação de votos de parlamentares de sua influência. O governo esperava um gesto nesse sentido para distensionar o ambiente. Hoje, como o GLOBO mostrou, mais de 30 senadores não declaram sua posição publicamente — parte deles por cautela em relação ao presidente do Senado.

Ainda assim, o presidente do Senado indicou que garantirá um ambiente institucional sem sobressaltos para a sabatina na CCJ e para a votação em plenário.

Presente na reunião, Pacheco era o preferido de Alcolumbre para ficar com a vaga no Supremo, aberta após a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. Lula, porém, optou por um nome de sua estrita confiança, como tem feito neste terceiro mandato com as indicações de Zanin e Flávio Dino.

Desde novembro, quando o presidente anunciou a indicação do advogado-geral da União, Messias esperava por uma conversa com o presidente do Senado. Contrariado com a escolha de Lula, porém, Alcolumbre vinha evitando o encontro. A reunião marca assim uma inflexão na relação entre os dois.

Nos bastidores, Messias tem descrito o impasse como resultado de fatores externos e sinalizado que compreende o desconforto de Alcolumbre. Ainda assim, o presidente do Senado manteve até aqui a estratégia de não engajar seu grupo mais próximo na defesa do nome indicado por Lula.

Para alcançar os 41 votos necessários à aprovação, Messias intensificou nas últimas semanas a agenda de visitas a gabinetes e conversas reservadas com senadores. Hoje ele tem 26 votos favoráveis declarados e precisa angariar mais 16 entre os indecisos.

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