UNO MEDIA

CNJ deve votar em agosto resolução de Fachin para prevenir conflitos de interesse na magistratura

CNJ deve votar em agosto resolução de Fachin para prevenir conflitos de interesse na magistratura

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, deve apresentar na próxima sessão do órgão, marcada para 4 de agosto, uma proposta de resolução que cria diretrizes para prevenção e gestão de conflitos de interesse no Poder Judiciário. A expectativa é que o texto seja submetido à votação na sessão seguinte, em 18 de agosto, seguindo o modelo adotado por Fachin de apresentar atos normativos em uma sessão e deliberá-los apenas na reunião posterior, dando prazo para análise dos conselheiros. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo GLOBO. 

A proposta já consta da pauta pública do CNJ como um ato normativo para instituir "diretrizes de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses no âmbito do Poder Judiciário", além da "promoção da integridade, da imparcialidade, da transparência e da confiança pública". O texto definitivo da resolução ainda está em fase de elaboração.

Segundo interlocutores envolvidos na discussão, a resolução terá como base uma nota técnica elaborada pelo Observatório Nacional de Integridade das Instituições (ONIT). Uma das medidas em estudo teria como objetivo obrigar magistrados a declarar atividades privadas que possam representar potenciais conflitos de interesse. O conteúdo final, porém, ainda pode sofrer alterações antes de ser levado ao plenário do CNJ.

A iniciativa é distinta da elaboração de um código de ética para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), iniciativa defendida por Fachin desde que assumiu a presidência da Corte. Enquanto o código de conduta do STF disciplina o comportamento dos integrantes do próprio Supremo, a resolução do CNJ terá alcance sobre os demais órgãos do Judiciário nacional.

Isso ocorre porque, pela Constituição, o Supremo não está submetido ao controle administrativo e disciplinar do CNJ. As regras aprovadas pelo conselho alcançam os tribunais e magistrados vinculados ao órgão de controle, mas não os ministros da Suprema Corte.

A discussão sobre integridade e conflitos de interesse ganhou força na gestão de Fachin tanto no STF quanto no CNJ. No Supremo, o presidente da Corte conduz um debate interno sobre a criação de um código de ética para os ministros, iniciativa que vem sendo construída separadamente e cuja conclusão deve ficar para depois das eleições deste ano, diante da necessidade de maior consenso entre os integrantes da Corte, como mostrou O GLOBO. 

O texto vem sendo elaborado sob a coordenação da ministra Cármen Lúcia e deverá estabelecer diretrizes para a atuação dos magistrados em temas como transparência, participação em eventos públicos e privados, divulgação de palestras, prevenção de conflitos de interesse e outras situações que, embora nem sempre disciplinadas pela legislação, frequentemente geram questionamentos sobre a atuação dos integrantes da Corte.