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Comissão do Senado lê indicação de Messias ao STF nesta quarta, com parecer favorável do relator

Comissão do Senado lê indicação de Messias ao STF nesta quarta, com parecer favorável do relator

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve fazer nesta quarta-feira a leitura da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. A etapa marca o início formal da tramitação do nome na Casa — a sabatina está prevista para o dia 29.

O parecer apresentado ontem por Weverton segue o formato técnico tradicional e se concentra em reunir os elementos exigidos pela Constituição para a análise da indicação.

O texto detalha a formação acadêmica, a produção jurídica e a trajetória profissional de Messias, destacando sua atuação como procurador da AGU, sua passagem por cargos no Executivo e sua experiência recente como ministro-chefe da Advocacia-Geral da União.

Ao longo do documento, o relator adota tom elogioso ao mencionar o perfil “conciliador e de diálogo” de Messias, ressaltando sua atuação na busca por acordos judiciais e na promoção da segurança jurídica.

O parecer também enfatiza iniciativas conduzidas na AGU, como a redução de litígios e a gestão de riscos fiscais, além de registrar o envio de todas as declarações exigidas — como regularidade fiscal, ausência de conflitos e detalhamento da atuação profissional.

Ao final, conclui que há informações suficientes para que os senadores deliberem sobre a indicação.

Em entrevista na semana passada, Weverton afirmou que Messias atende aos critérios exigidos pela Constituição e indicou um ambiente positivo para aprovação.

— Posso dizer que o ambiente é totalmente favorável. De lá para cá ele dialogou e tem aberto mais portas. Arrisco a dizer que ele está com caminho construído para ser aprovado — disse.

A leitura do relatório ocorre em paralelo à retomada do corpo a corpo político por parte de Messias. Na terça-feira, ao chegar no Senado para visita gabinetes, Messias disse estar procurando todos, incluindo Alcolumbre:

— Estou trabalhando para falar com todos. Acho que as agendas estão fluindo — afirmou o indicado.

Após semanas de espera pelo envio formal da mensagem ao Senado, o advogado-geral da União voltou a intensificar o périplo pelos gabinetes, em uma ofensiva para consolidar votos antes da sabatina.

A estratégia inclui encontros reservados com senadores e participação em agendas informais, como o jantar realizado na semana passada no Lago Sul, que reuniu cerca de 38 parlamentares. O movimento foi articulado pelo governo como forma de medir resistências e reduzir a tensão em torno do nome.

Após a leitura do relatório, será feito um pedido de vistas. A sabatina, marcada para o fim do mês, tem previsão de votação no mesmo dia na CCJ e no plenário, segundo acordo costurado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Nos bastidores, o processo ficou travado pela resistência de Alcolumbre, que defendia a indicação do antecessor Rodrigo Pacheco para a vaga no Supremo. Com a decisão de Lula de manter Messias como escolhido, o presidente do Senado passou a destravar o andamento da indicação apenas nos últimos dias.