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Conselho do Ministério Público julga caso Gonet nesta sexta sob expectativa de barrar investigação

Conselho do Ministério Público julga caso Gonet nesta sexta sob expectativa de barrar investigação

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) se reúne nesta sexta-feira para analisar as menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A expectativa entre integrantes da instituição é que o procedimento não resulte na abertura de uma investigação contra o chefe da PGR.

A avaliação feita por integrantes do Ministério Público ouvidos pelo GLOBO às vésperas da sessão é que, apesar do desgaste sofrido por Gonet nas últimas semanas, não há, até o momento, uma sinalização de maioria no colegiado favorável ao aprofundamento da apuração. O cenário, contudo, só será definido durante a sessão, a partir do voto do relator e das manifestações dos demais conselheiros.

O encontro extraordinário está marcado para as 10h. O Conselho vai decidir se há elementos suficientes para que um subprocurador-geral da República seja designado para investigar eventual prática de crime comum atribuída a Gonet na condução das apurações relacionadas ao Banco Master. O procedimento se concentra sobretudo na atuação da PGR em processos envolvendo o Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso será relatado pelo subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino. Como o procedimento envolve o próprio Gonet, a sessão será presidida pelo vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino. Depois da apresentação do voto do relator, os demais integrantes votarão em ordem reversa de antiguidade.

A expectativa de que o resultado seja favorável a Gonet ocorre mesmo depois de uma piora no ambiente interno em relação ao procurador-geral. Como mostrou o GLOBO, a divulgação, na sexta-feira passada, de uma fotografia na qual Gonet aparece ao lado de Vorcaro, em Londres, fumando charuto, provocou indignação entre integrantes da carreira e aumentou o desgaste.

Até a publicação da imagem, as críticas eram mais isoladas e Gonet ainda encontrava uma defesa mais ampla dentro da instituição, apesar do constrangimento provocado pelas mensagens encontradas pela Polícia Federal.

A fotografia tornou o ambiente mais desfavorável ao procurador-geral, inclusive entre integrantes do MPF que até então vinham defendendo sua atuação.

O incômodo também chegou a integrantes do próprio Conselho. Nos últimos dias, conselheiros relataram surpresa e desconforto com o conteúdo das mensagens divulgadas. Ainda assim, esse mal-estar não se traduziu, até agora em uma sinalização de votos suficientes para a abertura de uma investigação.

Em nota divulgada após a revelação da imagem, a PGR confirmou a autenticidade da fotografia e afirmou que o próprio Gonet já havia admitido publicamente ter participado do evento em Londres, ao lado de outras autoridades.

A Procuradoria ressaltou ainda que o ministro André Mendonça, então relator do caso no Supremo, afirmou durante o julgamento da semana passada que não havia identificado nada de grave nas menções feitas ao procurador-geral nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro.

Gonet também se manifestou no procedimento em tramitação no Conselho. O procurador-geral negou manter relação de amizade com Vorcaro e afirmou não possuir interesse pessoal nos processos relacionados ao ex-banqueiro. Sustentou ainda que não há elementos que justifiquem a abertura de uma apuração sobre sua conduta.

O Conselho Superior é o órgão máximo de deliberação do MPF e tem dez integrantes: o procurador-geral e o vice-procurador-geral da República, que são membros natos, além de oito subprocuradores-gerais eleitos. O corregedor-geral também participa das reuniões, mas não tem direito a voto.