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Coordenador de Lula no Nordeste vê eleições 'mais fáceis' que em 2022, mas admite 'instrumentos desafinados'

Coordenador de Lula no Nordeste vê eleições 'mais fáceis' que em 2022, mas admite 'instrumentos desafinados'

Coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou estar otimista sobre as chances do petista se reeleger no pleito de outubro. Em entrevista ao Estadão, ele destacou que a chapa tem "melhores palanques" que há quatro anos, quando o atual presidente venceu nas urnas o então mandatário Jair Bolsonaro (PL).

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Questionado se a disputa deste ano — em que o principal oponente de Lula deve ser o filho do ex-presidente e senador Flávio Bolsonaro (PL) — vai ser mais difícil, Dias disse que "não".

— Em 22, nós tínhamos o fato de estar fora do governo. Mas o destaque é que, hoje, nós temos melhores palanques. Em Minas Gerais, por exemplo, [teremos] palanque com o ex-presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, [Alexandre] Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte, e Marília [Campos], ex-prefeita de Contagem. Se você observar, a gente tem hoje nos Estados, no Rio, com Eduardo Paes, e o próprio Fernando Haddad, em São Paulo, um quadro de candidaturas muito mais potente do que em 22 — afirmou o ministro, que exaltou a experiência e o preparo de Lula e do vice Geraldo Alckmin (PSB) e os descreveu como "timoneiros" da nova corrida eleitoral.

Nesta semana, após as divulgações de Datafolha e Genial/Quaest, o agregador de pesquisas Rali — iniciativa do GLOBO em parceria com o Instituto Locomotiva — mostrou Flávio Bolsonaro à frente de Lula pela primeira vez no cenário simulado de segundo turno. Além disso, como mostrou O GLOBO, o Nordeste se transformou em motivo de alerta para a pré-campanha à reeleição do presidente. Sondagens indicam um movimento de piora na aprovação do governo e redução na diferença sobre o adversário na região, vista como fortaleza eleitoral do PT há 20 anos. A perda de força ocorre em um cenário de divisão na base aliada e de desvantagem de nomes do partido nas disputas estaduais.

Ao Estadão, Wellington Dias disse que a eleição deve ficar polarizada entre Lula e Flávio e que, com isso, a possibilidade de vitória do petista em primeiro turno "é real". Para ele, muitos eleitores ainda estão "em silêncio".

— Na prática, é como se estivessem cristalizados dois campos: o mais humano e o desumano. De um lado, a valorização da vida com a vacina. Do outro, vira jacaré se tomar vacina. Por mais que o Flávio Bolsonaro queira se disfarçar, ele não vai conseguir. Esse projeto que está querendo voltar já foi. Não é uma novidade. Queremos um Brasil em conflito, colônia dos Estados Unidos? Não. Queremos um Brasil de paz — afirmou ele, com menção implícita à administração de Jair Bolsonaro da crise sanitária da pandemia de Covid-19 e do apoio bolsonarista ao presidente americano, Donald Trump.

Na entrevista, Wellington Dias citou que o país voltou ao top 10 das maiores economias no mundo, apesar do crescimento "menor do que poderia ser", e tirou mais de 30 milhões de pessoas da situação de fome. Ele disse acreditar que o conjunto de ações do governo Lula "ainda não está tendo o efeito que poderia ter" e reconhecer haver espaço para melhora na comunicação da gestão petista.

— Aqui o que é que falta? Organizar a orquestra. A orquestra ainda tem instrumentos desafinados. Agora é afinar instrumentos, afinar a orquestra. Mas temos um bom repertório — destacou ele, antes de citar quais instrumentos seriam esses. — Na prática, a comunicação não pode ser colocada apenas na responsabilidade de uma pessoa (...) É possível se trabalhar com pesquisas, mas é necessário que em cada lugar, cada vereador, líder social, deputado, pré-candidato, prefeito, ou seja, cada simpatizante possa ter sintonia com aqueles pontos que a população valoriza. Quem desconhece que o presidente Lula trabalha com prioridade social? Mas pouca gente está falando, por exemplo, dos efeitos econômicos.