Vista como competitiva após ir para o segundo turno da disputa pela prefeitura de Curitiba em 2024, a atuação da jornalista Cristina Graelm (PSD) tem provocado incômodo entre aliados do governador Ratinho Júnior (PSD), que ameaçam não embarcar na chapa do ex-secretário e deputado estadual Sandro Alex (PSD) caso a comunicadora seja anunciada como integrante da composição. Egressa do grupo político do senador e ex-juiz Sergio Moro (PL), ela migrou para a base do governador e tem se colocado como pré-candidata ao Senado no campo que enfrentará o antigo aliado nas urnas neste ano.
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Graelm teve a filiação anunciada por Ratinho em abril deste ano, em um vídeo publicado nas redes sociais em que o governador afirma ter feito o convite para que ela pudesse "ajudar a pensar o Paraná no futuro, mas, acima de tudo, já trabalhar o presente". Antes disso, ela teve passagens pelo Podemos, pelo Partido da Mulher Brasileira, pelo qual concorreu em 2024, e pelo União Brasil, onde se aproximou de Moro. A jornalista chegou a manifestar interesse de concorrer ao Senado em uma chapa encabeçada por ele, mas o parlamentar migrou para o PL no início deste ano.
Ao ingressar no PSD, Graeml disse ao governador que não tem interesse em concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa. Em resposta, segundo interlocutores, ela teria recebido de Ratinho a oferta de uma posição na chapa majoritária, para o Senado ou para a vice, e agora aguarda o governador bater o martelo.
O Republicanos deixou a convenção estadual para 5 de agosto, o último dia do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral. A legenda também aposta em um cenário em que o deputado federal Filipe Barros (PL) será afetado pelos desdobramentos do caso Master e acredita que o ex-deputado Deltan Dallagnol corre o risco de não pode ser candidato.
Em 2023, por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o registro de candidatura de Dallagnol, na época no Podemos, resultando na perda do mandato dele como deputado federal. À época, o Ministério Público Eleitoral (MPE) considerou que parlamentar cometeu uma fraude contra a Lei da Ficha Limpa ao pedir exoneração do Ministério Público Federal (MPF) enquanto enfrentava processos internos da instituição que apuravam dele procurador da Operação Lava Jato. O registro de candidatura de Deltan para a eleição deste ano, no entanto, ainda será protocolado e tende a ser analisado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, independente da decisão do TSE no último pleito.
A chance de Cristina ser candidata, no entanto, tem provocado resistências dentro do grupo político do governador, em especial do Republicanos, que ameaça não embarcar na chapa se a jornalista for incluída. Interlocutores argumentam que ela atrapalharia os planos do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), que foi lançado como pré-candidato ao Senado e precisaria disputar os votos dos eleitores da direita com Graelm.
Uma candidatura de Graelm também tende a desagradar o atual prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que venceu a jornalista no último pleito municipal. À época, os dois disputaram o apoio dos eleitores de direita na capital paranaense. Apesar de Pimentel ter escolhido como vice o ex-deputado Paulo Martins (Novo), na época filiado ao PL, Graeml recebeu o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um vídeo publicado nas redes sociais.
Durante a campanha, os dois trocaram farpas e acusações em debates e peças publicitárias. Os embates, segundo aliados, ainda são lembrados e tendem a pesar na escolha do candidato que terá o aval de Pimentel até outubro. O apoio dele também é cobiçado por Rafael Greca, ex-prefeito da capital paranaense e pré-candidato ao governo, que escolheu o atual mandatário como seu sucessor no último ciclo eleitoral.
Já integrantes da campanha de Graeml minimizam as críticas e afirmam que ela não tem se oposto à possibilidade de estar no mesmo palanque que o ex-adversário.