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Decisão do STF aponta indícios de que Eduardo Cunha usou deputado do Republicanos para direcionar emendas

Decisão do STF aponta indícios de que Eduardo Cunha usou deputado do Republicanos para direcionar emendas

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que bloqueou até R$ 6 milhões em bens do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG) apresenta indícios de que o ex-parlamentar tenha usado o deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG) para negociar emendas, já que Cunha não tem mandato eletivo desde 2016.

Procurado, Abramo ainda não se manifestou. Já Cunha, sem citar o colega de partido, afirmou que irá contestar a decisão do ministro do STF. Em nota, a defesa negou que ele tenha exercido um "mandato clandestino" e afirmou que não participou formalmente da apresentação das emendas investigadas.

Na decisão, o ministro do STF usou uma investigação da Polícia Federal que apura o desvio de emendas parlamentares da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados para embasar a determinação do bloqueio de bens. Também suspendeu imediatamente a execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas sob suspeita.

As conversas usadas para embasar a decisão foram extraídas do celular de Mariângela Fialek, a Tuca, servidora da Câmara apontada como operadora do esquema de manipulação de emendas parlamentares.

Entre os diálogos que embasaram a decisão, tornada pública neste domingo, um trecho reproduzido pela Polícia Federal mostra uma conversa entre Cunha e Tuca em que os dois citam o deputado Gilberto Abramo.

De acordo com a investigação, a conversa aconteceu no dia 12 de setembro de 2025. No diálogo, Cunha cita emendas para um município de Minas Gerais e demonstra insatisfação com a percepção de que elas teriam sido atribuídas ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), e não a Gilberto Abramo, seu aliado.

“Oi. Se puder. Tou com um problema lá em uma das emendas de Manhuaçu que o pessoal lá é inimigo e estão dizendo que é do Nikolas. Como pôs no Gilberto Abramo, preciso de um ofício dele dizendo que essa emenda é de autoria dele”, disse Cunha em mensagem enviada para Tuca.

Na decisão, o ministro do STF disse que “causa estranheza o cenário narrado, uma vez que aparenta que uma suposta emenda de titularidade do deputado Gilberto Abramo estava sendo tratada por Eduardo Cunha com Tuca, e não pelo titular”.

“Considerando que os elementos encontrados no celular de Tuca deixam claro que essas emendas eram indicações de Eduardo Cunha, o fato de que outros parlamentares tenham sido alocados como ‘solicitantes’ só agrava o processo de fraude de encaminhamento e desvio dos recursos. Observa-se uma clara proeminência do deputado Gilberto Abramo que, como visto acima, foi apontado como parceiro político do ex-presidente da Câmara no Estado de Minas Gerais”, também escreveu o ministro do Supremo.

A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, que apura desvios na distribuição de emendas do chamado orçamento secreto e que, na sexta-feira, já havia levado ao bloqueio de até R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.