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Defesa de Débora do Batom pede redução de pena após Congresso derrubar vetos do PL da Dosimetria

Defesa de Débora do Batom pede redução de pena após Congresso derrubar vetos do PL da Dosimetria

A defesa da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do batom”, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a redução da pena e a progressão de regime com base no chamado PL da Dosimetria, que teve o veto presidencial derrubado pelo Congresso na quinta-feira passsada. A medida altera regras de dosimetria penal para crimes ligados aos atos de 8 de Janeiro. Débora foi condenada a 14 anos de prisão por participar dos atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes e seus advogados pedem uma redução de pena de um a dois terços.

Caso o pedido da defesa seja acolhido, a pena de Débora poderá ser recalculada com base nas novas regras, o que pode reduzir o tempo de cumprimento e antecipar benefícios como a progressão de regime. O quanto sua pena seria reduzida, caso o pedido venha a ser acolhido, depende de decisão judicial.

O pedido ocorre após uma derrota política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Legislativo. Em sessão conjunta na quinta-feira, deputados e senadores derrubaram o veto integral ao projeto por ampla maioria, fazendo com que a lei já passe a valer e possa ser usada pelas defesas de condenados para reduzir seu tepo de prisão.

A proposta flexibiliza critérios para cálculo de penas e amplia possibilidades de progressão de regime, podendo impactar diretamente condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Entre os pontos, o texto impede a soma de condenações por crimes de mesma natureza.

No caso de Débora, os advogados sustentam que a nova legislação — ainda pendente de publicação — estabelece critérios mais favoráveis ao réu, como a aplicação do concurso formal próprio e a possibilidade de redução de pena entre um terço e dois terços em situações de atuação em multidão, sem liderança ou financiamento.

Com base nesses pontos, a defesa afirma que a norma deve retroagir para beneficiar Débora, conforme previsto na Constituição e no Código Penal, o que exigiria o recálculo da pena, que já está na fase de execução.

Além disso, os advogados pedem a concessão imediata de progressão para o regime semiaberto. Segundo a petição, Débora está em fase final de cumprimento do requisito temporal, com previsão para atingir o marco necessário em 9 de junho de 2026.

“A manutenção do regime mais gravoso por lapso ínfimo remanescente afronta os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade”, argumenta a defesa.

Débora cumpre pena em regime fechado, com prisão domiciliar e medidas cautelares, desde março de 2023.

Os advogados também rebatem registros de falhas no monitoramento eletrônico, afirmando que não houve tentativa de evasão e que eventuais inconsistências decorreram de problemas técnicos.

Derrubada do veto à Dosimetria

A derrubada do veto se deu no dia seguinte à rejeição de Jorge Messias para uma vaga no STF e smibolizou a segunda derrota para o governo na mesma semana. Logo depois, como mostrou o GLOBO, as defesas dos condenados pela trama golpista já preparavam pedidos a serem feitos junto à Corte para a revisão de penas e passaram a fazer cálculos sobre a progressão de regime.

Aliados do governo avaliam, por outro lado, que ainda há espaço para questionamentos no STF sobre a constitucionalidade das mudanças. Partidos como o PT e o Psol já anunciaram que devem acionar o Supremo quando a lei for publicada.