O hotel onde o senador Ciro Nogueira se hospedou com despesas pagas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo a PF, é considerado um dos mais luxuosos de Nova York e fica a uma quadra do Central Park, na Billionaires' Row - a rua dos bilionários. O hotel oferece diárias para uma pessoa que variam de 1,6 a 10 mil dólares e oferece experiências como spa para os cabelos e degustação de caviar.
O Park Hyatt New York é um hotel cinco estrelas que ocupa os 25 primeiros andares do One57, um dos prédios residenciais mais altos de Manhattan. A cobertura do arranha-céu foi comprada em 2018 por Michael Dell, CEO da empresa de computadores, por 100 milhões de dólares. Na lista de famosos que já moraram no mesmo edifício estão o bilionário Lawrence Stroll e o empresário Robert Herjavec, conhecido pela participação no programa Shark Tank.

Guias de Nova York destacam o "luxo discreto" do Park Hyatt. A rede hoteleira propagandeia a unidade de Nova York sugerindo a "descoberta do luxo personalizado". Segundo a divulgação do Hyatt, as suítes do hotel tem "janelas panorâmicas e banheiras de imersão em mármore". Ainda cita o spa, o salão de beleza e a piscina de água salgada oferecidas pelo hotel.
O quarto mais simples oferecido para hospedagem tem 46 m², uma TV de 55 polegadas, cama king size, janelas do chão ao teto e banheiro com piso aquecido e cafeteira. A diária é de 1,6 mil dólares. Também há outras suítes, com diárias de 2,4 mil e 4,6 mil. A diária de 10 mil é a da suíte presidencial, que tem 211 m².

Segundo a Polícia Federal, hospedagens neste hotel foram pagas por Vorcaro a Ciro Nogueira como forma de propina. O parlamentar foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, nesta manhã. A PF viu indícios de que uma emenda apresentada pelo senador para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria sido redigida dentro do Banco Master.
Ao autorizar a operação, o ministro André Mendonça apontou que Ciro Nogueira é indicado nas investigações como "destinatário central" de vantagens indevidas pagas pelo dono do Master. A PF cita mensagens que sugerem trocas de favores entre o senador e o executivo do banco.