O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, fez um "apelo" para que empresas promovam campanhas de educação cívica para seus funcionários em prol de uma "convivência pacífica" em pleno ano eleitoral. A manifestação se dá após uma funcionária de uma empresa aérea afirmar que seria "melhor matar do que xingar" o ministro do STF. Segundo o próprio Dino, a afirmação ocorreu quando a mulher viu um cartão de embarque em seu nome.
O ministro viu, no caso, "contaminação por ódio" em razão de sua atuação como integrante do STF. "Imaginemos que outros funcionários, da mesma ou outra empresa aérea, sejam contaminados com idêntico ódio. Isso pode significar até riscos para segurança de aeroportos e de voos e, por conseguinte, de outros passageiros", chegou a ponderar.
Dino indicou que o episódio pode ter sido um "caso isolado", mas destacou que as pessoas não podem ter receio de sofrer agressões, de funcionários de empresas, ao consumir serviços e produtos, independentemente de "opinião, simpatias e voto individual".
"É melhor prevenir. Essa é a sugestão para as empresas e entidades empresariais: orientem e estimulem com campanhas educativas os seus prestadores de serviço a manter o respeito a todas as pessoas, independentemente de preferências, simpatias, opiniões. Será o melhor para a empresa e para os consumidores. Será o melhor para o Brasil", ponderou.
Após o relato de Dino, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota em solidariedade ao colega. Segundo ele, o episódio envolvendo Dino ocorreu hoje em um aeroporto em São Paulo. Fachin apontou que a divergência de ideias "jamais pode abrir espaço para o ódio, para a violência em qualquer de suas formas ou para qualquer modo de agressão pessoal".
O presidente do STF afirmou que o respeito é uma "condição essencial da convivência republicana". "Impõe-se reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social. O Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana", registrou.
Durante cerimônia de posse dos novos integrantes do Conselho Nacional de Justiça, Fachin afirmou que criticar autoridades é legítimo, mas deslegitimá-las não. "Divergir é próprio do regime democrático, mas fragilizar as instituições que o sustentam é abrir caminho para a instabilidade e para o arbítrio", afirmou.
O ministro ainda apontou que propor aprimoramentos a instituições fortalece a democracia, mas "financiar de forma sistemática e com finalidade eleitoral informações falsas que enfraquecem a institucionalidade depõe contra os poderes da República, contra as instituições e contra o tecido social".