Diretor-geral da Fundação FHC, o cientista político Sergio Fausto definiu como um “desconhecimento da história” a declaração de Rosângela da Silva, a Janja, sobre a atuação de primeiras-damas brasileiras. Na segunda-feira, a mulher do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao avaliar a própria função no governo, disse que é a primeira vez que o país tem uma primeira-dama que trabalha “efetivamente”.
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— A fala da primeira-dama revela tal desconhecimento da história que não merece comentário — afirma Fausto.
Durante entrevista à Folha de São Paulo e UOL, Janja afirmou que os brasileiros "não estavam acostumados" com uma primeira-dama com a sua carga de trabalho no governo.
— Fizemos uma normativa há dois anos, regulamentou algumas questões internas e para ficar mais transparente. A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente, vou todos os dias para o Planalto, faço reunião, faço agenda, viajo a trabalho. A sociedade e a imprensa não estavam acostumados com isso — disse.
Na ocasião, Janja também comparou seu trabalho com o da antropóloga Ruth Cardoso, ex-primeira-dama do Brasil durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995 e 2002) e disse sentir "preconceito de classe" por não ter vindo de família rica.
— Não se esqueça que dona Ruth era uma doutora de uma universidade importante brasileira e que isso conta muito. Tenho certeza absoluta que muito do preconceito contra mim é um preconceito de classe, não venho de uma família rica, venho de uma família pobre, fiz universidade pública, fiz universidade trabalhando, fui trabalhar fora, ralei para caramba. Não tenho mestrado e nem doutorado porque não foi essa minha opção de vida. Não queria ir para academia, não queria ser a intelectual, sempre gostei muito de trabalhar com comunidade — afirmou Janja.