O diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, afirmou que o foco da operação desta quinta-feira, em que o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso, foi em suspeitas de corrupção envolvendo o banco público. A investigação aponta a existência de um esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, no contexto de operações bilionárias entre a instituição financeira ligada ao governo do Distrito Federal e o Banco Master.
— Fase de hoje é uma decorrência direta da primeira fase. Na fase de hoje o foco foi do lado do BRB, não ainda no detalhamento das fraudes do banco em sim, mas na corrupção dos gestores do banco nessa operação de compra e venda — afirmou Murad, com a ressalva de que parte das investigações está sob sigilo.
O diretor da PF concedeu entrevista na sede do Ministério da Justiça para comentar a operação. Questionado sobre a possibilidade de um acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, dono do Master, Murad disse que cabe a ele apresentar os fatos.
— Com relação a delação premiado, cabe a pessoa que ache que tenha como colaborar que se apresente , que mostre os fatos. Nesse momento não temos nada neste sentido
Segundo o ministro da Justiça, Wellington Lima, a operação desta quinta-feira, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), "é uma das ações" que o governo tomará para combater o crime organizado.
— Aproveitamos o ensejo para dizer que esse evento dessa operação é apenas uma das ações que se inscreverá no rol de outras iniciativas que o governo deve adotar nos próximos dias no combate ao crime organizado — disse Lima.
Questionado se a convocação de uma entrevista para comentar a operação relacionada ao Master teve relação com a tentativa de o governo tentar capitalizar políticamente as investigações, o ministro negou e disse que o motivo foi o "dever de informar".
Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, homem de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro, foram presos numa operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira. Os dois são suspeitos de terem participado de um "esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos" no escândalo do Banco Master, segundo a PF. A defesa de Costa afirmou que a prisão é "desnecessária".
De acordo com a investigação, há suspeita de prática de crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, os investigadores identificaram seis imóveis que teriam sido recebidos como propina pelo ex-presidente do BRB, quatro em São Paulo e dois em Brasília, avaliados em mais de R$ 140 milhões no total.
A investigação da Polícia Federal que levou à prisão do ex-presidente do BRB e do advogado aponta indícios de uma operação financeira de R$ 12,2 bilhões arquitetada pelo banco público e o Master por “pura camaradagem” como “tentativa de abafar a fiscalização” feita pelo Banco Central (BC).