Às vésperas da escolha de um novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), os corredores da Câmara dos Deputados passaram a exibir um cenário mais comum a campanhas eleitorais do que a processos institucionais.
Banners com fotos de candidatos foram espalhados por áreas de circulação da Casa, com slogans, cores e apelos diretos aos parlamentares. As peças destacam atributos como “compromisso”, “experiência” e “independência”, em uma linguagem visual que remete a disputas eleitorais tradicionais.
Além dos posters, circulam flyers, espécie de “santinhos” da deputada Soraya Santos, reforçando o nome da deputada indicada pelo PL e tentando consolidar apoios na reta final da disputa. O deputado Danilo Forte também chegou a espalhar por anexos da Casa tótens com a sua imagem.


A mobilização acabou tomando diferentes pontos do prédio, incluindo acessos a plenários e corredores de grande fluxo, ampliando a visibilidade dos candidatos. Ao todo, são sete nomes na disputa pela vaga no tribunal de contas.
O clima chamou atenção até de interlocutores de lideranças da Casa. Um deles, por exemplo, disse que o cenário lembrava mais o de uma eleição para a presidência da Casa do que propriamente a votação para um órgão técnico.


A movimentação ocorre no mesmo dia em que os candidatos passam por sabatina na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), etapa formal do processo de escolha. A votação no plenário da Câmara está prevista para esta terça-feira.
A vaga em disputa é a do ministro Aroldo Cedraz, que se aposentou em fevereiro deste ano. Ao todo, sete parlamentares disputam a indicação: Danilo Forte (PP-CE); Hugo Leal (PSD-RJ); Elmar Nascimento (União Brasil-BA); Gilson Daniel (Podemos-ES); Odair Cunha (PT-MG); Soraya Santos (PL-RJ); e Adriana Ventura (Novo-SP).
A escolha vai testar a força do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que apoia Odair Cunha.
No campo da oposição, o PL chegou a trabalhar com a indicação do deputado Hélio Lopes (PL-RJ), mas recuou e passou a apoiar o nome de Soraya Santos (PL-RJ). A mudança foi defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que argumenta a favor da ampliação da presença feminina em tribunais superiores, hoje sem representação de mulheres no TCU.
Antes da sabatina, os indicados participaram, juntos, de uma reunião não gabinete da CFT. Nela, segundo participantes, ficou decidido que, embora o processo seja meramente formal, todos serão aprovados pela comissão.