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Dono da Refit é alvo de prisão em nova operação da Polícia Federal

Dono da Refit é alvo de prisão em nova operação da Polícia Federal

O advogado e empresário Ricardo Magro, que comanda o grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos, foi alvo de prisão preventiva nesta sexta-feira. O Supremo Tribunal Federal (STF) também determinou a inclusão do nome dele na lista de difusão vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). Ele mora em Miami, nos Estados Unidos.

As ações fazem parte da Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema voltado à ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. A PF cumpre 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. A operação contou com a parceria entre PF e a Receita Federal .

Além de Magro, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi alvo de um mandado de busca e apreensão na Operação. Os agentes vasculharam um apartamento de Castro em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.

Os mandados foram expedidos no âmbito da ADPF 635/RJ, a chamada A"DPF das Favelas', direcionada a combater a atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no estado do Rio de Janeiro. O relator do caso é o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Moraes ainda determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

Em nota, a Refit negou as irregularidades e afirmou que as operações contra o grupo "prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel".

"Importante ressaltar que a atual gestão da Refit herdou passivos tributários acumulados por administrações anteriores e, desde então, vem adotando medidas para regularização dessas obrigações. Somente ao Estado do Rio, a empresa realizou pagamentos da ordem de R$ 1 bilhão no último exercício", diz o texto.

A empresa também afirmou que nunca forneceu combustíveis para o crime organizado.

"Ao contrário, sempre atuou como denunciante de postos ligados a facções criminosas", completou a nota (confira-a na íntegra abaixo).

Em nota, Cláudio Castro negou irregularidades, dizendo que a sua gestão foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos, da Refit, pagasse parte da sua dívida com o Rio de Janeiro. Ele também se declarou "surpreendido" com a operação de hoje e afirmou estar 'à disposição da Justiça".

Ao longo da gestão, a PGE (Procuradoria Geral do Estado) engressou com inúmeras ações contra a Refit, o que demonstra que a Procuradoria sempre atuou para que a empresa pagasse o que deve ao Estado.

Quem é Ricardo Magro

O dono do grupo Refit vive em Miami desde a década passada e é conhecido pelas dívidas com estados e a União que somam R$ 26 bilhões. Em novembro do ano passado, o conglomerado de Magro entrou na mira da Operação Poço de Lobato, coordenada pela Receita. A investigação apontou supostas fraudes que chegavam a R$ 350 milhões por mês por meio de uma rede de distribuidoras, formuladoras, postos, importadoras, fundos de investimento e empresas de fachada no Brasil e no exterior.

Em 2016, Ricardo Magro chegou a ser preso no contexto da operação Recomeço, que investigou desvios da ordem de R$ 90 milhões em dois fundos de pensão: o Petros, de servidores da Petrobras, e Postalis, dos funcionários dos Correios. Ele foi absolvido pela Justiça posteriormente.

Paulistano de 52 anos e formado em direito, ele já atuou como advogado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Ele ascendeu na carreira empresarial no Rio de Janeiro ao assumir o controle do conglomerado Refit em 2008. Desde então, Magro entrou em embates judiciais com o Fisco. Ele sempre negou as irregularidades e se diz perseguido por uma campanha de empresários concorrentes do setor de combustíveis.

Nos últimos meses, o empresário entrou na mira do governo Lula. O presidente da República passou a defender a prisão dele nos Estados Unidos em discussões com integrantes do governo de Donald Trump.

— Eu liguei para o presidente Trump, dizendo para ele que, se ele quiser enfrentar o crime organizado, nós estamos à disposição. E mandei para ele, no mesmo dia, a proposta do que nós queremos fazer. Disse para ele, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior devedor deste país, que é importador de combustíveis fósseis, mora em Miami. Então se ele quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí — disse Lula, em dezembro do ano passado.

Reportagem do Fantástico publicada em novembro de 2025 mostrou que o empresário leva uma vida de luxo em Miami, tendo como bens um iate avaliado em R$ 9 milhões e um jato de R$ 25 milhões, enquanto é acossado por investigações da Receita, Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo.

Nota enviada pela Refit após a operação Sem Refino:

A Refit esclarece que as questões tributárias envolvendo a companhia estão sendo discutidas no âmbito judicial e administrativo, como fazem diversas companhias do setor, incluindo a própria Petrobras, atualmente uma das maiores devedoras de tributos do Estado do Rio de Janeiro.

Importante ressaltar que a atual gestão da Refit herdou passivos tributários acumulados por administrações anteriores e, desde então, vem adotando medidas para regularização dessas obrigações. Somente ao Estado do Rio, a empresa realizou pagamentos da ordem de R$ 1 bilhão no último exercício.

As operações contra a Refit prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel formado por três grandes empresas já condenadas pelo CADE por controlarem o preço do combustível nos postos, prejudicando a população e contribuindo para o aumento da inflação no país.

A Refit jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias. Laudos científicos da carga apreendida nas últimas operações comprovam que o produto importado é óleo bruto de petróleo, conforme devidamente declarado no documento de importação. Causa estranheza a Receita Federal impedir a realização da perícia judicial que possa corroborar os laudos de profissionais já apresentados em juízo.

A Refit nega veementemente ter fornecido combustíveis para o crime organizado. Ao contrário, sempre atuou como denunciante de postos ligados a facções criminosas, incluindo aqueles de bandeiras renomadas que integram o Instituto Combustível Legal (ICL) e foram alvos de operações policiais. Ressalta-se ainda que o fechamento da Copape, em meados de 2024, formuladora ligada ao PCC, também foi resultado de denúncias que partiram da Refit às autoridades e à ANP.