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Douglas Ruas defende votação aberta em recurso que pede ao STF que rejeite ação contra eleição da Mesa da Alerj

Douglas Ruas defende votação aberta em recurso que pede ao STF que rejeite ação contra eleição da Mesa da Alerj

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Douglas Ruas (PL), pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeite uma ação que tenta anular a eleição da Mesa Diretora da Casa, realizada em abril, e obrigar a realização de um novo pleito com voto secreto. Em manifestação enviada ao ministro Luiz Fux, relator do caso, Ruas afirma que o modelo de votação adotado, aberto, segue o padrão constitucional atual e não pode ser revisto pelo Judiciário. 

A ação questionada pela Alerj pede que o STF declare inconstitucional o voto aberto na escolha da Mesa da Alerj, anule a eleição realizada em 17 de abril e determine a realização de nova votação por escrutínio secreto. 

Na resposta, a Assembleia sustenta, em primeiro lugar, que a ação não deveria sequer ser analisada. Isso porque, segundo a Casa, o autor já levou a mesma discussão ao Tribunal de Justiça do Rio em pelo menos três processos anteriores, o que impediria o uso da ADPF, instrumento que só pode ser acionado na ausência de outro meio eficaz.

No mérito, o documento da Alerj argumenta que a forma de eleição de sua Mesa Diretora é matéria "interna corporis", ou seja, um tema que diz respeito exclusivamente à organização interna do Legislativo e, portanto, fora do alcance do controle judicial, salvo em situações excepcionais de violação direta à Constituição.

"Admitir o contrário equivaleria a permitir que o Poder Judiciário substituísse o Legislativo na condução de seus próprios procedimentos internos", afirma a Procuradoria da Casa no documento.  

A Assembleia também rebate a tese de que o voto deveria ser secreto. Segundo a manifestação, a Constituição passou a privilegiar a publicidade das votações parlamentares após a Emenda Constitucional 76 de 2013, que eliminou a exigência de escrutínio secreto como regra. Para a Casa, a transparência é hoje o padrão, inclusive nas assembleias estaduais.

Nesse contexto, sustenta que não houve qualquer violação constitucional na eleição realizada em abril, que levou Ruas à presidência da Casa. A Alerj afirma ainda que a tentativa de questionar o modelo de votação representa apenas inconformismo com a interpretação das normas internas do Legislativo. O deputado estadual é pré-candidato ao governo do Rio pelo PL. 

No último dia 23, a Alerj pediu o STF que Ruas fosse reconhecido como primeiro sucessor do Executivo fluminense e assumisse o cargo de governador em exercício do estado. Em manifestação enviada à Corte, a Procuradoria-Geral da Alerj sustentou que a permanência do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, como governador interino só se justificava em razão da ausência do presidente da Casa.