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Durante mandato, Castro usava casa em Petrópolis ligada a empresário que multiplicou contratos com governo do Rio

Durante mandato, Castro usava casa em Petrópolis ligada a empresário que multiplicou contratos com governo do Rio

O ex-governador Cláudio Castro (PL) usou durante parte do mandato uma casa de luxo em Petrópolis registrada em nome de uma empresa cujo dono multiplicou em 177 vezes o valor de contratos com o governo do Rio na gestão passada. Castro alega ter alugado o imóvel, e Luiz Fernando Gomes, proprietário do empreendimento, diz que já havia vendido a casa e que não foi ele o responsável por disponibilizá-la ao político. Ambos, contudo, não apresentam documentos que comprovem as versões.

  • Alvo de operação: Cobertura de R$ 3,5 milhões onde Castro mora foi comprada por empresa de ex-secretário criada dois meses antes

As casas do Villa Locanda, visitado pelo GLOBO, oferecem piscina, espaço gourmet e adega de vinhos. Segundo documentos cartoriais, a residência de número 1 pertence ao CNPJ do condomínio, do qual Gomes é dono. Com outra firma, a Engeprat, ele assinou contratos de engenharia com o Executivo que somam R$ 355 milhões no governo Castro. Antes de o ex-governador assumir o Palácio Guanabara, a Engeprat tinha recebido pouco menos de R$ 2 milhões.

Castro, que utilizou o local entre outubro de 2023 e o início deste ano, afirma que tinha “contrato de locação regular” do imóvel, “com pagamentos realizados por transferência bancária”, mas não informou a quem pagava, tampouco forneceu comprovantes. O vínculo, aponta ele, foi rescindido nos últimos meses, após a saída do governo.

“Não há conflito de interesse. O ex-governador não mantém e nunca teve qualquer relação jurídica ou comercial com a empresa ou com o empresário citado”, disse, por meio de assessoria de imprensa.

Já Gomes assegura que a casa teria sido comprada por uma pessoa física — cujo nome não informou — e que a situação cartorial não estaria atualizada.

“A casa mencionada como sendo usada pelo ex-governador Cláudio Castro em horas de lazer faz parte de um empreendimento imobiliário com dezenas de unidades padrão. E foi vendida para um investidor ainda na fase de construção, em fevereiro de 2023”, apontou, também em nota, o empresário. “É ele quem a disponibiliza para locação desde então. O imóvel não pertence a Luiz Fernando Gomes, que jamais o alugou, vendeu ou emprestou para o ex-governador.”

Onde é a casa — Foto: Editoria de Arte
Onde é a casa — Foto: Editoria de Arte

A Engeprat é uma das 20 empresas de Luiz Fernando Gomes e assinou 13 contratos com o governo fluminense. Onze foram firmados depois de 2022, já com Castro no poder, sendo o de maior valor para prestação de serviços de topografia. O empresário afirma que o aumento está relacionado às obras contratadas após as tragédias ambientais do início de 2022 em Petrópolis.

“Todos passaram, sem mácula, pelo crivo dos órgãos fiscalizadores competentes”, disse. “(A Engreprat) possui sólida presença em diversos estados do país, como Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Sempre alicerçando sua atuação nos mais rigorosos princípios éticos e profissionais. Desta forma, a empresa reafirma, categoricamente, não ter havido qualquer tipo de favorecimento na ocupação do imóvel, que não lhe pertencia, pelo ex-governador fluminense.”

Empresário da construção civil afirma que nunca alugou ou cedeu casa para Castro — Foto: Reprodução
Empresário da construção civil afirma que nunca alugou ou cedeu casa para Castro — Foto: Reprodução

O vínculo entre o imóvel usado por Castro e as empresas foi publicado pelo portal Metrópoles e confirmado pelo GLOBO.

Viagens recorrentes

Castro aproveita o imóvel com frequência. Entre janeiro de 2024 e o início deste ano, o então governador pegou o helicóptero oficial do governo ao menos 24 vezes para ir à cidade aos fins de semana, pousando em helipontos próximos ao local. Em algumas ocasiões, estava acompanhado da família.

Segundo a assessoria, o uso de aeronaves oficiais “sempre observou critérios institucionais de segurança, agenda e logística definidos pelos órgãos responsáveis”, e os deslocamentos “tiveram relação direta com a segurança institucional do então governador”.

O imóvel não foi alvo de buscas da Polícia Federal nas duas operações que atingiram o ex-governador em maio. As investigações são focadas no escândalo do Master e na influência da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no governo do Rio, e vasculharam endereços na capital do estado.

O argumento de que pagava aluguel pela casa, apesar de não mostrar o contrato, também foi usado por Castro ao justificar a cobertura no Rio alvo da PF. O apartamento, como mostrou o GLOBO, foi comprado por uma empresa em nome de Mauro Farias, ex-secretário de Transformação Digital. Segundo o ex-governador, o valor mensal do aluguel da cobertura, comprada por R$ 3,5 milhões, é de R$ 10 mil.

(Colaborou Bernardo Mello)