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Eduardo Girão critica apoio do PL a Ciro Gomes no Ceará: 'Incoerência muito grande'

Eduardo Girão critica apoio do PL a Ciro Gomes no Ceará: 'Incoerência muito grande'

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou a relação da direita cearense com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que recebeu o apoio do PL em sua pré-candidatura ao governo do estado. A articulação gerou divergências entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que endossa o lançamento de Girão ao Palácio da Abolição, e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que chegou a defender publicamente a aproximação com Ciro.

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— A verdadeira direita, com todo respeito, não pode estar nessa outra aliança. Inclusive, eu acredito que isso mostra uma incoerência muito grande — disse Girão, nesta quinta-feira, em entrevista ao Diário do Nordeste.

No mês passado, o deputado federal André Fernandes, que preside o núcleo local do PL, anunciou o apoio a Ciro afirmando que "toda ajuda é bem-vinda" para derrotar a gestão do PT". Para justificar a decisão, o parlamentar lembrou que já trocou críticas recíprocas com o tucano, mas ponderou que as diferenças "sempre irão existir".

A definição ocorreu meses após a aproximação ter sido criticada publicamente por Michelle, que chegou a desautorizar o andamento das articulações conduzidas pelo parlamentar no estado. Segundo Girão, o Novo é um partido aliado do PL no Congresso, ao contrário do PSDB.

— O PL deveria estar do lado de cá, vamos combinar, porque, inclusive, lá no Congresso Nacional, a gente faz o trabalho juntos, o Novo e o PL, as votações são muito próximas. Nosso partido tem sido ferrenho, 100% oposição ao PT. Quem é oposição somos nós, não temos ninguém que foi ministro de Dilma, de Lula — afirmou o senador.

Girão, na mesma entrevista, justificou que a aliança aparenta ser um "projeto familiar", sem citar nomes. O pai de André, deputado estadual Alcides Fernandes (PL), é pré-candidato ao Senado e cotado para integrar a chapa de Ciro ao lado de Capitão Wagner (União Brasil). O vice seria Roberto Cláudio (União Brasil), todos ligados à direita bolsonarista.

— Me parece ser um projeto familiar que está influenciando muito para que se mude da água para o vinho uma postura — completou o senador.

Apoio de Michelle

A primeira manifestação pública de Michelle contra a aliança ocorreu justamente durante o lançamento da pré-candidatura de Girão ao governo do estado. Àquela altura, André justificava ter tido o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para buscar a composição com Ciro.

Já no mês passado, a ex-primeira-dama compartilhou um vídeo em que Ciro defende que o ex-presidente era um homem "quase doente" e "burro", com capacidade intelectual "curta". Para Fernandes, no entanto, a nova composição política significa a "coragem de agir" em nome dos cearenses.

Antes disso, Michelle já havia utilizado materiais do passado de Ciro para questionar uma eventual aproximação. Em dezembro do ano passado, a ex-primeira-dama afirmou que não teria com ficar feliz "com o apoio à candidatura de um homem que xinga o meu marido o tempo todo de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xingamentos".

O posicionamento rendeu críticas dos filhos do ex-presidente. A primeira delas partiu de Flávio, que chamou a madrasta de "autoritária":

— A Michelle atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará. E a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora — disse o senador ao portal Metrópoles.

No mês que vem, como mostrou o GLOBO, Michelle e Flávio devem participar do lançamento da pré-candidatura de Alcides. Ciro, no entanto, não estará presente, conforme confirmado por interlocutores do ex-ministro.

Atrito suspendeu aliança

Nas redes sociais, o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) chegou a dizer que a aproximação com Ciro foi feita com aval do ex-presidente:

“Temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças”.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) repetiu os irmãos:

"Meu irmão Flávio está correto. Foi injusto e desrespeitoso com o André o que foi feito no evento. Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mal acordo; foi uma posição definida pelo meu pai”.

Dias depois, no entanto, Flávio pediu desculpas à Michelle, e, com isso, o PL decidiu suspender a aliança.