O deputado federal e presidente do PDT de Minas Gerais, Mário Heringer, negou que o partido possa abrir mão de lançar Alexandre Kalil ao governo mineiro em favor de uma composição com o PT na cabeça de chapa. Em meio às articulações por um palanque no estado para a corrida à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), petistas passaram a defender que a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, pré-candidata ao Senado, concorresse ao Executivo estadual.
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Em postagem no X, Heringer criticou o que chamou de "fake news" e reforçou o apoio a Kalil, a quem definiu como "candidatíssimo" ao Palácio Tiradentes. O deputado rechaçou "desistência ou interferência" no arranjo pré-combinado.
"Pra acabar com a fofoca: @alexandrekalil é pré candidato e será candidato a GOVERNADOR DE MINAS. Aqui no PDT MG/Br cumprimos compromissos. NÃO ADIANTA ESPALHAR FAKE NEWS. Kalil é CANDIDATÍSSIMO. E não tem desistência ou interferência. E será o próximo Governador Parem a fofoca!", escreveu o líder partidário.
O pedetista explicou ao jornal O Tempo que publicou o texto nas redes sociais para responder a um "boato". Desde a confirmação do apoio do PT à candidatura de Juliana Brizola (PDT) para o governo do Rio Grande do Sul, segundo Heringer, petistas mineiros passaram a ventilar que o PDT poderia deixar de lançar Kalil e compor com o PT de Minas. O dirigente afirmou, porém, que o partido está "convicto" em torno do nome do ex-prefeito de Belo Horizonte.
Heringer citou como exemplo a disputa estadual de 2018, quando o ex-prefeito da capital Márcio Lacerda disputaria o governo pelo PSB, mas foi preterido após um acordo entre PDT e PT pela reeleição de Fernando Pimentel (PT). O dirigente não descartou um apoio mútuo num eventual segundo turno.
'Desastre político'
Depois de reforçar às direções nacional e estadual do PT que não quer disputar o governo, a pré-candidata ao Senado Marília Campos soltou uma nota, assinada por um coordenador da campanha, em que sobe o tom contra o movimento do partido, classificado até como “desastre político”. No domingo, a ex-prefeita de Contagem se reuniu com o presidente da sigla, Edinho Silva, e reforçou que pretende seguir como postulante ao Legislativo.
Segundo a nota divulgada na tarde desta segunda-feira, escrita pelo economista José Prata Araújo, a eventual candidatura de Marília ao governo “reunificaria” a direita mineira:
“Nossa experiência no governo de Minas (com Fernando Pimentel, entre 2015 e 2018) não foi bem-sucedida; e por isso mesmo não devemos ter protagonismo na candidatura a governador. Nosso candidato deve ser de um partido de centro; devemos apostar na constituição de uma frente ampla”, afirma o texto.
Segundo a nota, a narrativa da direita tentaria fazer o eleitor esquecer o perfil de Marília como prefeita, dizendo que o que está em jogo é o retorno do PT ao governo. Também faria Lula precisar se afastar dela a fim de evitar a polarização.
“A candidatura de Marília ao governo é a volta da polarização, é o sonho da direita e da extrema direita mineira. A estratégia do PT Minas é, para dizer o mínimo, uma temeridade. No limite será um desastre político”, sentencia.
O texto encaminhado à imprensa pela campanha de Marília ilustra a resistência que a petista vem impondo à ideia. O partido passou a pressionar a ex-prefeita depois que decidiu tentar viabilizar uma candidatura própria.
Marília chegou a participar de um compromisso público no sábado, em Montes Claros, ao lado de outros dois pré-candidatos ao governo, Gabriel Azevedo (MDB) e Jarbas Soares Jr. (PSB). Em vídeo informal, chama Azevedo de "governador" ao encontrá-lo. Ela vem defendendo que o partido apoie o emedebista, que teve conversas com a direção nacional do PT antes de o diretório estadual retomar o movimento de candidatura própria.
— Eu, particularmente, defendo uma estratégia eleitoral que aposte numa composição de frente única, como foi definido anteriormente quando o representante era o Rodrigo Pacheco, que infelizmente declinou desse convite — disse. — O Rodrigo não vem, mas hoje temos uma possível costura entre PT, MDB, PSB e, não descarto, o PDT. Precisamos de uma grande conciliação de interesses para de fato disputar com força um projeto para Minas Gerais.
Depois de Marília não ser convencida na última conversa, que teve ainda a presença de Leninha, presidente estadual petista, Edinho levará o impasse a Lula para definir os próximos passos. Eles estarão juntos nesta segunda-feira, em Brasília. Já o diretório mineiro disse que “novos diálogos” vão acontecer ao longo da semana.
‘Equívoco’
Quando saiu a notícia de que o PT mineiro tinha avalizado com Lula o projeto de nome próprio, e de que ela seria a escolhida para cumprir a missão, a ex-prefeita soltou nota em que classificou a decisão como equivocada. Bem posicionada nas pesquisas para o Senado, Marília não quer encarar a difícil eleição para o governo, sobretudo com o partido ainda muito associado à impopular gestão de Pimentel.
"Embora legítima do ponto de vista partidário, ela representa um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado", alegou. "Reproduzir uma disputa fortemente polarizada tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros, além de dificultar a formação de uma maioria política capaz de sustentar o projeto democrático liderado pelo presidente Lula".
Marília foi entusiasta do projeto Rodrigo Pacheco (PSB). Depois, com os sinais de que o senador não toparia, defendeu uma reaproximação com Alexandre Kalil (PDT), apoiado por Lula em 2022. O ex-prefeito de Belo Horizonte, no entanto, indicou que não gostaria de se associar de forma tão direta ao petista outra vez. Ambas as partes guardam traumas da eleição de quatro anos atrás: o PT, pela personalidade de Kalil; ele, por sentir que foi pouco prestigiado.