O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou nesta quarta-feira conter os efeitos da crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro durante a primeira reunião de sua pré-campanha dedicada exclusivamente ao eleitorado feminino. O presidenciável disse repudiar as declarações do influenciador Paulo Figueiredo, que disse que as mulheres "votam mal".
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Com a crise ainda em curso, aliadas de Michelle como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), não participaram. Flávio fez novas críticas à ex-primeira dama durante o discurso.
Na tentativa de reduzir a repercussão da fala de Figueiredo, Flávio disse ter se sentido “ofendido” pela declaração e afirmou que, se há resistência do eleitorado feminino, a responsabilidade é da própria campanha.
— Quero repudiar a fala do Paulo Figueiredo. Não concordo com o que ele falou. Ele não faz parte da nossa campanha. Ele trabalha e ajuda dos Estados Unidos, e é por isso que colocam no meu colo uma fala que não é minha. Eu não tenho responsabilidade, mas tenho obrigação de dizer que me senti ofendido. Nunca ele poderia dizer que é culpa das mulheres. Se as pesquisas mostram que elas não estão votando conosco, é falta de competência minha. Temos que melhorar a nossa comunicação e mostrar que as nossas pautas são as que elas defendem. Temos que mostrar que nós somos o melhor — afirmou Flávio.

Em vídeo nas redes sociais, Paulo Figueiredo afirmou que mulheres "votam muito mal", especialmente as solteiras, já que as casadas tenderiam a acompanhar os votos dos marido.
— Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido. Mulheres solteiras, não. Podem arrancar os pentelhos das calcinhas, fazer o que quiser, principalmente as feministas, que têm mais pentelhos, mas eu quero dizer a vocês: isso é estatística — complementou, sem citar a fonte da conclusão estatística.
O encontro
Um dia após Michelle deixar a presidência do PL Mulher, o senador reuniu parlamentares e lideranças da direita em Brasília, em um encontro sem a ex-primeira-dama e algumas de suas principais aliadas. Também não compareceram a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), uma das principais aliadas da ex-primeira-dama, a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), nomes que costumam participar das agendas femininas do grupo bolsonarista. A vice-presidente do PL Mulher, Priscila Costa (PL-CE), considerada o pivô da crise entre Michelle e Flávio, participou da reunião.
Logo na abertura do encontro, Flávio agradeceu o trabalho da ex-primeira-dama à frente do PL Mulher, afirmou que as portas da campanha permanecerão sempre abertas para ela e defendeu a união da direita. Ele, no entanto, fez críticas sobre uma nova publicação de Michelle. A reunião foi fechada, mas participantes divulgaram vídeos nas redes sociais.
O encontro foi realizado no Lago Sul, na casa onde funciona o núcleo jurídico da pré-campanha. Coordenada pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, a reunião contou com a presença das deputadas Júlia Zanatta (PL-SC), Simone Marquetto (PP-SP), Soraya Santos (PL-RJ), Daniela Reinehr (PL-SC) e Chris Tonietto (PL-RJ). A vice-presidente do PL Mulher, Priscila Costa (PL-CE), também participou do encontro.
Além das parlamentares, estiveram presentes o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), o coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e o senador Carlos Portinho (PL-RJ). O objetivo oficial era apresentar a primeira versão do programa voltado às mulheres, incorporar sugestões antes do lançamento, previsto para o dia 15 deste mês, e ampliar a participação feminina na estrutura da campanha.
Segundo interlocutores da campanha, o repúdio de Flávio às declarações de Paulo Figueiredo buscou conter um dos episódios que mais agravaram a crise. Aliados da ex-primeira-dama afirmam que o o “fogo amigo” consolidou o rompimento entre madrasta e enteado porque, embora o senador tenha adotado um discurso conciliador, demorou a se posicionar e não atuou para conter os ataques dirigidos a Michelle nas redes sociais.
Segundo interlocutores da campanha, o repúdio de Flávio às declarações de Paulo Figueiredo buscou conter um dos episódios que mais agravaram a crise. Aliados da ex-primeira-dama afirmam que o “fogo amigo” consolidou o rompimento entre madrasta e enteado porque, embora o senador tenha adotado um discurso conciliador, demorou a se posicionar e não atuou para conter os ataques dirigidos a Michelle nas redes sociais.
Ao chegar à reunião, a deputada Júlia Zanatta procurou minimizar a percepção de divisão.
— Não tem atrito nenhum. A gente agora precisa pensar em tirar o Lula do poder e colocar Flávio Bolsonaro na Presidência. Tenho certeza que Michelle fará a escolha de ser candidata ao Senado porque precisamos muito dela como candidata — afirmou.
O encontro ocorreu menos de 24 horas depois da reunião entre Michelle e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Como mostrou o GLOBO, Valdemar tentou convencer a ex-primeira-dama a permanecer à frente do PL Mulher, adiar qualquer decisão sobre sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e participar da agenda organizada pela campanha de Flávio. Michelle recusou. Segundo relatos de aliados, afirmou estar “cansada” da política, reclamou de não estar sendo ouvida nas decisões internas do partido e voltou a dizer que nunca recebeu um convite diretamente do senador.
Horas depois, Michelle oficializou sua saída da presidência do PL Mulher, afirmando que passaria a dedicar-se integralmente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e da filha. A direção do partido decidiu não indicar uma sucessora imediata para o comando do segmento feminino. Até as eleições, a estrutura será conduzida pelas presidentes estaduais.
Aliados de Michelle afirmam que a decisão também evita que Priscila Costa assuma automaticamente a presidência do PL Mulher. Vice-presidente do segmento, a vereadora tornou-se o principal foco da disputa entre Michelle e Flávio depois que a ex-primeira-dama passou a defender sua candidatura ao Senado no Ceará, enquanto o senador conduziu negociações que abriram espaço para uma composição com o grupo do deputado André Fernandes (PL-CE).
O que foi apresentado
Além da discussão sobre a crise, a campanha apresentou a versão preliminar do programa voltado ao eleitorado feminino, considerado um dos principais instrumentos para reduzir a rejeição de Flávio entre as mulheres. O documento foi estruturado em três eixos — proteção, oportunidades e cuidado — e busca ampliar o discurso da candidatura para além da segurança pública, principal bandeira do senador.
Parte das convidadas apresentou propostas e poderá assumir funções permanentes na elaboração da plataforma de governo. A deputada Simone Marquetto, por exemplo, deve ficar responsável pelo eixo de desenvolvimento social, enquanto outras lideranças deverão assumir áreas específicas da campanha.
A proposta parte da avaliação de que o combate à criminalidade continuará sendo o principal eixo do discurso de Flávio, mas precisará ser acompanhado de medidas voltadas à autonomia financeira, geração de renda e economia do cuidado. O texto reúne iniciativas de enfrentamento à violência doméstica, incentivo ao empreendedorismo feminino, ampliação do acesso ao microcrédito e políticas destinadas às mulheres responsáveis pelo cuidado de filhos, idosos e pessoas com deficiência.