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Em evento com alfinetadas no bolsonarismo, Lula cita Copa e pede que ‘verde e amarelo’ não sejam ‘tomados por fascistas’

Em evento com alfinetadas no bolsonarismo, Lula cita Copa e pede que ‘verde e amarelo’ não sejam ‘tomados por fascistas’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou a Copa do Mundo neste sábado e pediu que o “verde e amarelo” não sejam “tomados por fascistas”. A declaração ocorreu durante participação no evento Rio2C, no Rio de Janeiro, onde participou do lançamento da plataforma Tela Brasil, um serviço de streaming público e gratuito de audiovisual brasileiro. A cerimônia foi marcada também por críticas indiretas ao filme “Dark Horse”, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e está no meio do escândalo do Banco Master.

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A citação às cores do país ocorreu após o petista brincar com o prefeito do Rio, Eduardo Cavalieri (PSD), que participou da cerimônia com um casaco com o escudo da seleção brasileira.

— Nosso prefeito Cavalieri está vestido aqui de verde e amarelo. Mas você precisa vestir o verde e amarelo e colocar "não bolsonarista" — disse o petista. — É uma coisa que a esquerda vai precisar aprender a fazer. Nessa Copa, vamos ter que andar de verde e amarelo para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista.

Durante a cerimônia, Lula também retomou o discurso de soberania ao afirmar que “tem gente (no Brasil) que prefere falar uma palavra em inglês do que em português”. A fala se deu dois dias após o governo federal rebater os Estados Unidos por classificarem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

— (O Tela Brasil) vai contribuir para a compreensão no Brasil. Porque somos assim. Somos acostumados com a cultura estrangeira no Brasil. Não temos nem informação do quanto a cultura contribui para o desenvolvimento econômico do país. O mais importante é conhecermos a razão que nos fez chegar onde chegamos. Tem gente que prefere falar uma palavra em inglês do que em português. É muito importante a gente conhecer a nossa gente — disse Lula, que completou:

— Muita gente defende o meio ambiente, mas pega um avião e vai para Miami. Não vai para a Amazônia.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, por sua vez, chamou atenção para o gargalo na distribuição do conteúdo nacional e fez críticas veladas ao filme sobre Bolsonaro.

— É um primeiro passo para fortalecer a soberania do povo por meio da cultura. A gente não precisa inventar produtora de mentira para ser o que a gente é — disse.

A biografia cinematográfica do ex-presidente tem sido um dos principais problemas de Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. Como revelaram áudios do Intercept Brasil, o filho do presidente cobrou milhões de reais do banqueiro supostamente para o financiamento da obra.

Apesar de negar em um primeiro momento, Flávio reconheceu ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro. O dinheiro foi para uma produtora que teve o registro confirmado em 9 de julho de 2025 e está em situação regular, mas nunca lançou nenhum filme, seja no cinema, na TV aberta ou fechada.

Aparentemente, a empresa, conhecida como Go Up, foi formada para fazer o filme de Bolsonaro. O contrato social na Junta Comercial de São Paulo, inclusive, mostra uma alteração do objeto e das atividades econômicas em junho de 2025.

Embora negue que tenha sido o caso, a sócia da Go Up, Karina Ferreira da Gama, reconhece que o dinheiro para a produção de “Dark Horse” começou a entrar em março de 2025, vindo do fundo mantido pelo advogado Paulo Calixto no Texas.

Eleição no Rio

O petista utilizou a agenda para demonstrar apoio ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), que estava na plateia. Sem citar nominalmente Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) e nome do bolsonarismo na corrida pelo Palácio Guanabara, Lula tratou sobre a eleição no estado.

— Não é um candidato que você sabe quem é que precisa ser eleito governador do Rio. É você — disse em referência a Paes.

Lula também elogiou o governador em exercício do Rio, Ricardo Couto. Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), ele assumiu o governo do estado em março, após a renúncia de Cláudio Castro, que deixou o cargo para concorrer ao Senado Federal. Como o governo estava sem vice-governador e o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, estava afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a Corte determinou que Couto assumisse interinamente o cargo como quarto na linha sucessória.

— Ele vai ajudar a consertar o Rio de Janeiro — disse Lula sobre Couto.

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