O Partido dos Trabalhadores (PT) realiza nesta segunda-feira a quarta edição do “encontro nacional de evangélicos” com a presença de dirigentes e parlamentares relacionados ao setor. No fim do dia, a legenda divulgará uma carta política com direcionamentos adotados pela sigla, neste momento de tentativa de aproximação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o segmento religioso. Entre os nomes confirmados no evento estão o presidente nacional do partido, Edinho Silva, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede).
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A programação prevê debates sobre “democracia e disputa de valores”. Outra mesa discute “fé, democracia, justiça e vida". O evento ocorre no auditório da sede nacional do PT, em Brasília
Desde o ano passado, Lula intensificou acenos aos evangélicos. As iniciativas vão desde a recepção a lideranças do segmento até menções em discursos. Janja também busca aproximação com o setor.
Integrante da coordenação da pré-campanha de Lula, o ex-ministro Gilberto Carvalho descreveu o encontro como "vibrante" e disse que estiveram presentes também membros do Psol, da Rede e do PSB. Ele afirma que o objetivo do encontro foi "estabelecer as táticas e estratégias com o trabalho com os evangélicos durante a campanha".
— O tom é a demonstração de uma coincidência que há entre os objetivos, os princípios do projeto do governo Lula com os princípios evangélicos, que é cuidar dos pobres, que é combater a injustiça, que é a misericórdia. Os temas morais não foram abordados, como essa questão do aborto — disse Carvalho, que acrescentou — A nossa política em relação a aborto é a política de respeitar o que já está na legislação. Isso já é histórico.
Na semana passada, durante a 34ª Marcha para Jesus, Lula enviou uma mensagem aos organizadores em uma ligação intermediada pelo ministro da advocacia-geral da União (AGU) Jorge Messias. O AGU foi novamente o representante do governo federal no maior evento evangélico do país.
— Eu não participo de nada da religião em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando ter proveito político de uma coisa sagrada — afirmou o presidente, que disse estar “muito feliz” com a realização da marcha.
Segundo o Censo, havia 26 milhões de evangélicos no país em 2002, que representavam 15,1% dos brasileiros. No levantamento seguinte do IBGE, em 2010, o percentual saltou para 21,6%, saltando para 26,9% em 2022. Em números absolutos, a taxa significa cerca de 57 milhões de brasileiros. Conforme pesquisa Genial/Quaest divulgada em maio, o governo Lula é desaprovado por 65% dos evangélicos (eram 68% em abril), enquanto 30% (eram 28%) aprovam a gestão.
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