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Em minuta de plano de governo de Lula, PT propõe 'repressão qualificada' para combater crime organizado

Em minuta de plano de governo de Lula, PT propõe 'repressão qualificada' para combater crime organizado

O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou, nesta sexta-feira (29), uma plataforma para receber sugestões e contribuições para o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vai concorrer à reeleição em outubro. Na minuta inicial do documento, um dos temas abordados como prioritários é o combate ao crime organizado, e para isso o partido propõe "repressão qualificada" e "operações com inteligência" em oposição a "operações espetaculares".

O plano inicial tem 180 páginas e traz 13 eixos temáticos com propostas para o futuro, que abordam economia, saúde, educação, tecnologia, meio ambiente, relações trabalhistas, entre outros temas. A perspectiva é que o conteúdo seja alterado a partir das sugestões que receber após os debates, que se estenderão ao longo do mês de junho e início de julho.

O programa inicia com um resgate histórico e com um “balanço do governo Lula”. Na introdução do plano, o partido afirma que a atual gestão “começou sob ameaça de um golpe de Estado”, um processo fruto do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). O texto passa pela chegada de Michel Temer (MDB) ao poder, e cita problemas em diversas áreas do governo Jair Bolsonaro (PL).

”Herdamos um Estado destruído, uma economia combalida e uma sociedade polarizada. Esse período se inicia com o golpe do impeachment, que tirou a presidente Dilma do governo e impediu a realização do seu governo, desde o seu primeiro ano. Foi seguido pelos anos de Bolsonaro, com a destruição dos instrumentos de participação social, das políticas sociais, da capacidade de planejamento e da possibilidade de continuar as melhorias que tinham sido alcançadas no primeiro e segundo governos de Lula e no primeiro governo de Dilma. Destruição do Estado, revogação de direitos: ataques ao povo”, afirma o documento.

Na seção de diretrizes para o programa de governo de 2027 a 2031, o programa traz propostas sobre fortalecimento da democracia e participação social, aumento da eficiência dos serviços públicos, redução de desigualdades, segurança pública, urbanismo, produção agropecuária, saúde, educação, cultura, desenvolvimento tecnológico e aumento da produção industrial, enfrentamento da crise climática, proteção da classe trabalhadora e relações internacionais.

O plano é provisório, e deve mudar após as contribuições, que poderão ser feitas pelo público em geral por meio da internet, mas que também serão trazidas pelos outros partidos que vão integrar a coligação de Lula, como o PCdoB, a federação PSOL-Rede, o PSB e o PDT. Outro espaço de discussão das propostas será um grupo de jovens, liderado pela vereadora de São Paulo Luna Zarattini (PT), que terá representantes de 18 a 30 anos focados em propostas para a juventude. Os debates se estenderão entre as lideranças partidárias, representantes da sociedade civil e também na plataforma online até 30 de junho.

Sergio Gabrielli, coordenador do programa de Lula, afirmou que a ideia é “capturar o que nossa juventude está pensando” e que vai estender as contribuições para vários eixos, e que depois das contribuições o documento será encaminhado para as fundações das siglas que integram as coligações, para que seja formalizada uma versão final.

— Queremos encerrar essa tomada de posições no final de junho, e no dia 15 de julho, as fundações poderão ter um documento final para apresentar aos partidos políticos, que vão decidir o que entra ou não no programa de governo que vai ser registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É um momento de escuta, é um documento que será discutido e serão capturadas as opiniões das diversas pessoas. Vamos usar a internet, realizar, na maior parte dos territórios brasileiros, plenárias presenciais, vamos constituir 13 grupos que vão se reunir e vão discutir transversalmente os eixos centrais e faremos o grupo de jovens — explicou durante evento de lançamento da plataforma, realizado em São Paulo nesta sexta.

'Repressão qualificada', ensino técnico e avaliação de isenções tributárias

Na segurança, o plano propõe “atuação federativa coordenada e integração” para o enfrentamento às organizações criminosas, tratada como prioridade pelo partido no documento. O partido propõe uma “reestruturação profunda” nas polícias, com uma “doutrina de uso proporcional da força, a profissionalização das corregedorias e instâncias externas, o aprimoramento constante de métodos e protocolos, e a integração estratégica das organizações policiais sob uma governança coordenada”. O texto ainda destaca um equilíbrio entre “repressão qualificada” e “prevenção do crime”.

“Repressão sem prevenção prende, solta e prende de novo sem romper o ciclo, porque as causas que alimentam o crime continuam operando. Por outro lado, prevenção sem repressão deixa o crime organizado agir sem consequências”, acrescenta o documento, propondo operações “com inteligência que mapeia estruturas e fluxos financeiros” e não “operações espetaculares que prendem soldados enquanto as lideranças e os recursos permanecem intactos”.

Na economia, o plano de Lula prevê "assegurar a soberania econômica e financeira do Brasil", com a construção de reservas internacionais, o aperfeiçoamento da gestão fiscal com "responsabilidade no uso dos recursos públicos ao mesmo tempo em que se ampliam investimentos capazes de aumentar a produtividade da economia e reduzir desigualdades". Também há propostas visando a ampliação das linhas de crédito oferecidas pelos bancos públicos para o setor de infraestrutura, tecnologia e transição energética, o incentivo ao consumo popular, a consolidação da Reforma Tributária, e a redução das isenções fiscais. Além disso, o partido fala em "revisar a liberalização financeira promovida nos governos Temer e Bolsonaro" que "abriu espaço para grandes fraudes, a exemplo do caso envolvendo o Banco Master".

Na agricultura, o documento propõe incentivos à bioeconomia, “articulando ciência, tecnologia, financiamento e desenvolvimento regional”, e o fortalecimento dos programas de abastecimento alimentar e compras públicas. Na saúde, a promessa é a redução do tempo de espera para consultas, exames e cirurgias por meio da ampliação da rede de atendimento especializado, e o fortalecimento de programas de assistência farmacêutica. Na educação, as diretrizes contemplam a universalização das creches, a expansão das escolas em tempo integral, a ampliação do ensino técnico-profissionalizante nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Na parte do desenvolvimento urbano, o programa fala em "avançar gradativamente para a tarifa zero" no transporte público, "em cooperação com estados e municípios"; além disso, trata como prioridade a "a interiorização do desenvolvimento", fortalecendo o papel das cidades médias na oferta de serviços e oportunidades de trabalho.