O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, afirmou, em nota divulgada nesta terça-feira, que pagou R$ 249 mil à empresária Roberta Luchsinger após ter obtido um empréstimo pessoal junto a ela. Ele disse ainda que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça para demonstrar que "jamais houve nada além do empréstimo pessoal" e negou qualquer irregularidade na operação.
Na manifestação, Marcola afirma que o empréstimo foi pago com uma transferência bancária, classificada por ele como uma movimentação de natureza estritamente privada. Segundo o ex-assessor, a abertura dos sigilos busca deixar claro que a operação se restringiu ao empréstimo pessoal.
O ex-chefe de gabinete informou ainda que já constituiu advogado e orientou a defesa a utilizar todos os documentos necessários para esclarecer os fatos.
Na nota, Marcola afirma que sempre pautou sua atuação pública pela "ética, compromisso e transparência" e diz responder às "especulações e ilações" com fatos, documentos e sua disposição de colaborar com a Justiça.
A relação entre Marco Aurélio Marcola e a empresária Roberta Luchsinger entrou no radar da Polícia Federal durante a investigação que apura a atuação de um grupo suspeito de explorar influência política em negociações envolvendo o mercado de cannabis medicinal e pessoas ligadas ao governo federal.
Roberta é investigada pela PF em casos que envolvem Lulinha, como é conhecido o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís. O primogênito do petista é alvo de três inquéritos abertos desde a semana passada por suspeita de cometer o crime de tráfico de influência.
O pagamento a Marcola foi revelado pelo Poder360 e confirmado pelo GLOBO. Oficialmente, o auxiliar de Lula deixou o cargo no Palácio do Planalto para dedicar-se à campanha à reeleição do petista.
Lulinha é suspeito de ter atuado com Roberta junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete presidencial com o objetivo de ser beneficiado no ramo da cannabis medicinal.
O filho do presidente da República e Roberta também mantiveram relações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, suspeito de comandar um esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos no contracheque de aposentados.
Os investigadores buscam esclarecer a origem e a finalidade dos recursos transferidos por Roberta. A empresária é apontada pela PF como uma pessoa responsável por prospectar contratos governamentais.