Em diálogo com o banqueiro Daniel Vorcaro, interceptado pela Polícia Federal, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, pediu a elaboração de um relatório para defender a compra do Master pelo banco estatal.
O ex-presidente do BRB e o advogado Daniel Monteiro, homem de confiança de Vorcaro, foram presos em uma operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira. Os dois são suspeitos de participação em um “esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos” no escândalo do Banco Master, segundo a PF.
A mensagem interceptada pela PF teria sido trocada pouco antes do anúncio da operação de aquisição do Master pelo BRB, em março de 2025. “Estou trabalhando para lançar a operação amanhã ou, no mais tardar, na segunda-feira. O governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas”, escreveu Paulo Henrique.
Na sequência, o ex-presidente do BRB menciona ainda uma conversa sobre imóveis. “Conversei com a minha esposa e estaremos em SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela. Assim, ela também vai se ambientando”.
Segundo a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, os investigadores identificaram seis imóveis que teriam sido recebidos como propina pelo ex-presidente do BRB — quatro em São Paulo e dois em Brasília — avaliados em mais de R$ 140 milhões no total.
De acordo com a investigação, há suspeitas de prática de crimes financeiros, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Costa já havia sido afastado do comando do BRB por decisão judicial e acabou demitido em novembro pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), após a primeira fase da Operação Compliance Zero, que apura indícios de fraudes em operações financeiras envolvendo o Master. Em nota, o governo do Distrito Federal, acionista do BRB, afirmou que tem “compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade” e que seguirá colaborando com as instâncias competentes.
Por meio de nota, a defesa do ex-governador disse que o diálogo “corrobora” para a tese da defesa. “O ex-governador não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas pelas referidas instituições financeiras, tendo assegurado plena autonomia decisória à área técnica do BRB”, disse a defesa, acrescentando: “Caso houvesse participação direta ou acompanhamento próximo por parte do então chefe do poder Executivo nas referidas operações, seria manifestamente desnecessária a solicitação de elaboração de nota técnica destinada ao esclarecimento dos fatos para conhecimento próprio do Governador.”