UNO MEDIA

Fachin repudia pedido de indiciamento de ministros do STF após CPI do Crime Organizado rejeitar relatório

Fachin repudia pedido de indiciamento de ministros do STF após CPI do Crime Organizado rejeitar relatório

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, divulgou nesta terça-feira uma nota em que repudia a inclusão dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes no relatório final da CPI do Crime Organizado. No texto, Fachin classifica como “indevida” a menção aos colegas e afirma que eventuais desvios de finalidade de comissões parlamentares podem ameaçar direitos fundamentais.

“A Presidência do Supremo Tribunal Federal repudia de forma enfática a indevida inclusão e o alegado envolvimento” dos ministros no relatório, afirma a nota, que foi divulgada após a CPI não ter votos suficientes nesta terça-feira para aprovar o relatório final do senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

Fachin ressalta, por outro lado, que as comissões parlamentares de inquérito são instrumentos legítimos de fiscalização, desde que atuem dentro dos limites constitucionais e da pertinência temática que justificou sua criação. Segundo ele, quando há desvio desse escopo, há risco institucional.

“Desvios de finalidade temática dessas comissões enfraquecem os pilares democráticos e ameaçam os direitos fundamentais de qualquer cidadão”, diz o texto.

Na manifestação, o presidente do STF também falou sobre a necessidade de respeito à independência entre os Poderes e disse que a atuação das instituições deve observar responsabilidade e os parâmetros constitucionais.

"O Supremo Tribunal Federal reafirma que seguirá firme em sua missão de guardar a Constituição e proteger as liberdades democráticas", escreveu Fachin.

Alguns ministros, reservadamente, criticaram o que consideraram uma demora de Fachin em fazer um pronunciamento institucional em nome do STF.

Críticas públicas

Mais cedo nesta terça-feira, antes da nota de Fachin, ministros do Supremo reagiram ao relatório da CPI do Crime Organizado. Críticas ao documento dominaram o início da sessão da Segunda Turma da Corte, nesta tarde, enquanto o colegiado no Senado analisava o teor do texto.

Os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes se manifestaram na sessão, enquanto o ministro Flávio Dino e a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) se posicionaram pelas redes sociais. As reações mais enfáticas partiram dos alvos da CPI. Gilmar defendeu apuração por abuso de autoridade e disse que a proposta da CPI é "tacanha", enquanto Toffoli levantou a possibilidade de cassar parlamentares.

Como mostrou O GLOBO, o relatório foi visto por uma ala da Corte como um movimento para deslegitimar a atuação do tribunal, motivado, inclusive, por questões eleitorais. O texto foi apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e está sendo analisado nesta tarde.

Crimes de responsabilidade podem dar origem a processos de impeachment, que, no entanto, dependem de ato do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que já indicou que não tomará as medidas. Por se tratarem de crimes de responsabilidade, o entendimento da CPI é que o local apropriado para julgamento é o próprio Senado. O relatório, caso seja aprovado, será enviado para a Mesa do Senado, sob o comando de Alcolumbre, para o Ministério Público Federal e ao Conselho Superior do Ministério Público Federal.