O senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) culpou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo novo tarifaço americano contra o Brasil anunciado pelo governo de Donald Trump nesta terça-feira. O parlamentar também defendeu a necessidade de união do bolsonarismo com os ex-governadores e rivais na corrida pela Presidência Ronaldo Caiado (União) e Romeu Zema (Novo). Segundo Flávio, os três presidenciáveis têm "grande responsabilidade de tirar o Brasil das mãos sujas do PT".
Os três presidenciáveis atacaram o petista pela medida dos Estados Unidos de taxar o país em 25% após o Escritório do Representante de Comércio (USTR) concluir a investigação comercial aberta contra o Brasil.
— Esse estudo que foi divulgado agora, a chamada seção 301, englobou mais de 60 países, incluindo o Brasil, com uma investigação que começou em 2025, muito antes da minha visita aos Estados Unidos em novembro do ano passado. A realidade é que essa tarifa é do Lula, pelo seu tom agressivo com os EUA, pelo seu discurso anti-americano e por defender que o dólar deixe de ser a moeda nas negociações internacionais — disse Flávio ao afirmar que não têm responsabilidade pela medida americana.
Na gravação, o senador também voltou a mencionar a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas e disse que, enquanto pré-candidato, "fez mais pela segurança pública" do que o petista. Flávio também anunciou o envio de uma carta ao governo americano pedindo para tentar impedir a taxação dos produtos brasileiros.
No documento, endereçado ao secretário de Estado Marco Rubio, o parlamentar diz entender a decisão americana, mas afirma que o tarifaço "impõe sérios prejuízos ao povo brasileiro, que enxerga os EUA como um parceiro e amigo". "Embora compreenda que nenhuma tarifa tenha sido ainda imposta — a determinação abre um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — acredito ser meu dever compartilhar com vocês a real situação econômica enfrentada pelo povo brasileiro neste momento.
Unificação do discurso
Mais cedo, Flávio Bolsonaro fez críticas ao governo Lula e pregou a união com Caiado e Zema durante participação na Megaleite, feira do setor agropecuário na capital mineira.
— Só vamos conseguir (derrotar o PT) unidos — disse Flávio durante sua participação em um evento de produtores de leite em Belo Horizonte (MG).
Na ocasião, ele também frisou a necessidade de "resgatar o nosso país" e acusou Lula de "pensar sempre em eleição". No mesmo evento, Caiado subiu o tom contra o governo ao responsabilizar a política externa do governo petista pelas novas tarifas.
— O Brasil governado pelo PT não tem mais uma política do Itamaraty que seja de Estado, ele tem uma política de governo. O Itamaraty sempre foi um ponto de poder capaz de conduzir grandes acordos internacionais. A chancelaria brasileira sempre foi uma referência internacional, mas tomou um lado ideológico e trabalhou todo o tempo para querer romper essa relação com os Estados Unidos.
Zema, por sua vez, criticou o Planalto e um vídeo publicado nas redes sociais, no qual afirmou que a ameaça de imposição de novas tarifas como "inaceitável" e como uma medida protecionista que atinge "injustamente" o setor produtivo.
— Isso não aconteceu por acaso. O governo Lula falhou na diplomacia e não conseguiu defender os interesses do Brasil. Agora, o país corre contra o relógio para tentar evitar esse tarifaço. A Casa Branca está vendo um Brasil que perdeu credibilidade, menos segurança jurídica, menos abertura comercial e menos força para negociar. O resultado é simples: quem acaba pagando essa conta da incompetência do governo não é Brasília, é o produtor brasileiro, o trabalhador brasileiro e a nossa economia — disse o ex-mandatário mineiro.
Em um vídeo postado nas redes sociais, Zema classificou a taxação como uma ameaça "inaceitável" e como uma medida protecionista que atinge "injustamente" o setor produtivo.
— Isso não aconteceu por acaso. O governo Lula falhou na diplomacia e não conseguiu defender os interesses do Brasil. Agora, o país corre contra o relógio para tentar evitar esse tarifaço. A Casa Branca está vendo um Brasil que perdeu credibilidade, menos segurança jurídica, menos abertura comercial e menos força para negociar. O resultado é simples: quem acaba pagando essa conta da incompetência do governo não é Brasília, é o produtor brasileiro, o trabalhador brasileiro e a nossa economia — disse o ex-mandatário mineiro.
Já Caiado comentou o tema em uma entrevista coletiva durante uma exposição de produtores de leite em Belo Horizonte na manhã de hoje, evento no qual Zema e Flávio também estavam presentes.
— O Brasil governado pelo PT não tem mais uma política do Itamaraty que seja de Estado, ele tem uma política de governo. O Itamaraty sempre foi um ponto de poder capaz de conduzir grandes acordos internacionais. A chancelaria brasileira sempre foi uma referência internacional, mas tomou um lado ideológico e trabalhou todo o tempo para querer romper essa relação com os Estados Unidos.
Na ocasião, Caiado também se descreveu como um "patriota" e disse que "defende a soberania brasileira", mas afirmou que o país está nas mãos da "corrupção" e do narcotráfico, voltando a demonstrar apoio à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.
— Tem situações que, sem dúvida nenhuma, procedem quando eles dizem: "Olha, as facções são organizações terroristas que inundam o mundo com cocaína e a corrupção interna precisa ser controlada, porque nós estamos controlando a corrupção nas nossas empresas". Agora, o que não podemos aceitar é quererem taxar aquilo que o Brasil sempre teve uma parceria. Esperamos que esse diálogo seja reaberto.