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Flávio Bolsonaro vai insistir em PEC das horas trabalhadas após eleição, diz líder do PL na Câmara

Flávio Bolsonaro vai insistir em PEC das horas trabalhadas após eleição, diz líder do PL na Câmara

Os líderes do PL na Câmara e no Senado afirmaram nesta quarta-feira que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pretende insistir, caso seja eleito, na discussão de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que permite o pagamento por hora trabalhada, mesmo com o apoio do candidato à Presidência ao fim da escala 6x1. Além de defender a retomada da proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), integrantes do partido discutem alternativas para reduzir os impactos da mudança sobre as empresas em um eventual governo Flávio, como a desoneração da folha de pagamentos.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a oposição não pretende abrir mão da PEC de Marinho, que permite aos trabalhadores optar entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo de remuneração baseado nas horas trabalhadas, mediante negociação com o empregador. Segundo o deputado, a discussão deverá ser retomada depois das eleições.

— Lógico. Nós não vamos abrir mão das nossas convicções, porque está dando mais liberdade ao trabalhador para ele escolher qual modelo ele quiser — afirmou Sóstenes, ao ser questionado se a oposição insistiria na proposta.

Na mesma linha, o líder do PL no Senado defendeu que a PEC de Marinho volte a ser discutida na próxima legislatura. Segundo ele, o texto deveria ter tramitado em conjunto com a proposta que acaba com a escala 6x1, o que permitiria uma discussão mais ampla sobre os impactos da redução da jornada de trabalho para diferentes setores da economia.

— A PEC do senador Rogério Marinho está protocolada e deveria ter tramitado junto. Se esses projetos forem renovados na próxima legislatura, poderão ser discutidos — afirmou.

O senador também disse que um eventual governo Flávio terá de buscar soluções para compensar os efeitos da redução da jornada sobre as empresas. Entre as alternativas mencionadas está a desoneração da folha de pagamentos, medida adotada durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele ressaltou, no entanto, que a intenção não seria alterar o fim da escala 6x1, mas encontrar mecanismos para reduzir os custos da mudança.

— O próximo governo vai ter que encontrar soluções. A gente já está pensando nisso. Não se trata de mexer na medida, mas de buscar alternativas. A desoneração da folha, por exemplo, é um dos instrumentos. Nós fizemos a desoneração no governo Bolsonaro — disse.

O líder do PL no Senado manifestou preocupação com a possibilidade de a redução da jornada elevar os custos das empresas e provocar dificuldades financeiras em determinados setores. Na avaliação dele, um eventual governo Flávio poderá ter de adotar medidas para evitar o fechamento de negócios e a redução de postos de trabalho.

— O que me preocupa é quem gera emprego, que é o empresário que empreende. Para o trabalhador, a medida é muito boa. Mas, se o empresário tiver prejuízo, começar a fechar negócios, ficar sem margem e acabar quebrando, a gente vai ter que encontrar uma solução para o problema que Lula vai criar do outro lado da mesa — afirmou.

O senador também criticou a condução da discussão no Congresso e afirmou que a tramitação conjunta das propostas permitiria avaliar alternativas à redução da jornada, como a contratação por hora trabalhada.

— Nós nos manifestamos a favor da PEC do Rogério Marinho porque queríamos trazer essa discussão: quais são os impactos para os setores? Se a proposta tivesse sido apensada aos outros projetos, como seria regimentalmente mais correto, teríamos a oportunidade de fazer esse debate — disse.

Sóstenes, por sua vez, afirmou que a proposta de Marinho permite a redução de salários, dependendo dos termos negociados entre trabalhadores e empregadores. Segundo o deputado, o modelo também não contempla direitos previstos na CLT, como décimo terceiro salário e férias remuneradas.

— A PEC não é CLT, você tem que mudar o chip — declarou.

As manifestações ocorrem depois de Flávio mudar sua posição sobre o fim da escala 6x1. Após meses de críticas à proposta, o candidato anunciou nesta terça-feira que votará a favor da medida. A mudança ocorreu às vésperas da votação no Senado, em meio à tentativa da oposição de evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentre o protagonismo da defesa da redução da jornada de trabalho na reta final do segundo turno.

O Senado deve votar nesta quarta-feira a PEC que acaba com a escala 6x1. Partidos de oposição decidiram liberar suas bancadas, abrindo caminho para a análise da proposta em primeiro e segundo turnos no mesmo dia.

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