O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira que o ex-presidente Jair Bolsonaro nunca se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro durante as negociações para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-chefe do Executivo. Questionado por jornalistas se Vorcaro chegou a encontrar Bolsonaro, Flávio respondeu:
— Não. Eles nunca se encontraram.
Flávio diz que dinheiro de Vorcaro para filme foi para fundo gerido por advogado
A declaração foi dada em meio à crise provocada pela divulgação de mensagens, documentos e áudios sobre tratativas para financiar o longa-metragem. Segundo reportagem do The Intercept Brasil, o acordo previa aportes de até US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — para a produção cinematográfica.
No dia seguinte, o portal Metrópoles revelou mensagens em que Flávio e Vorcaro tentavam organizar um encontro na casa do banqueiro para que o ex-presidente assistisse a um documentário que também trata sobre a trajetória do pai do senador. Apesar das tratativas, o senador afirmou que a reunião nunca ocorreu.
Flávio também relatou ter conversado com o pai na quarta-feira, após a repercussão do caso, e disse que Bolsonaro orientou que ele permanecesse tranquilo e apresentasse sua versão dos fatos.
— Eu estive com ele na parte da tarde da quarta. Falei com ele e expliquei que a imprensa tinha noticiado isso. Ele falou para eu ficar tranquilo e falar a verdade, e estou fazendo isso. Insisto que não tenho nada de errado, dinheiro privado — declarou.
O senador voltou a negar irregularidades nas negociações envolvendo o filme e afirmou que os recursos relacionados ao projeto foram destinados a um fundo de investimento responsável pela produção.
— Eduardo não recebeu dinheiro do filme. Todos os recursos que foram enviados ao fundo foram fiscalizados. Não temos nada a nos preocupar com isso — afirmou.

Flávio também disse acreditar que os aportes negociados tenham chegado a cerca de US$ 16 milhões, embora tenha afirmado não ter precisão sobre os valores.
— Os detalhes eu não sei precisar, mas acredito que tenha sido algo em torno de 16 milhões de dólares — disse.
Segundo o senador, a última parcela paga por Vorcaro ocorreu em maio de 2025. Ele afirmou ainda que, naquele momento, “não estava tudo com evidência” e que passou a cobrar o cumprimento do contrato.
A crise levou a cúpula da pré-campanha presidencial de Flávio a realizar uma reunião de emergência em Brasília na quarta-feira com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho e integrantes do núcleo jurídico e de comunicação da campanha.
Na nota divulgada após o encontro, Flávio admitiu ter buscado “patrocínio privado para um filme privado” sobre o pai, mas negou ter recebido vantagens pessoais, intermediado negócios públicos ou utilizado recursos públicos no projeto.
Apesar da repercussão, aliados do senador afirmam que ele tem buscado transmitir internamente a avaliação de que a crise tende a perder força nos próximos dias e que a pré-campanha presidencial seguirá normalmente. Nesta sexta-feira, Flávio embarcou para o Rio de Janeiro e manteve a agenda política prevista para o fim de semana, incluindo compromissos no interior de São Paulo ao lado do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP).