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Governo troca comando de Ministério do Empreendedorismo após crise no PSB

Governo troca comando de Ministério do Empreendedorismo após crise no PSB

O governo promoveu nesta quarta-feira a troca no comando do Ministério do Empreendedorismo com a nomeação do advogado Paulo Pereira. Ele substituirá Tadeu Alencar, que ficou menos de um mês no cargo. Ambos são filiados ao PSB e a mudança havia sido pedida pelo presidente do partido, João Campos.

A nomeação de Paulo Pereira foi assinada no dia 17 por Geraldo Alckmin, que exercia o cargo de presidente durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Europa, e publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira.

Em postagem nas redes sociais, Tadeu Alencar mostrou conformismo com a sua saída precoce do cargo: “A minha nomeação para Ministro do Empreendedorismo, sobre ser uma honra para qualquer servidor público de carreira, terminou por acarretar tensões no meu partido, o PSB, que são, sob todos os aspectos, indesejáveis. É indispensável que o governo, desde logo, possa gastar a sua energia para continuar melhorando a vida da população, com inclusão e combate às desigualdades. Desta forma, conquanto se cuide de prerrogativa do Chefe do Poder Executivo, mas também espaço de indicação partidária, não me sinto à vontade para seguir à frente da pasta, sabendo que tal continuidade, por motivos alheios à minha vontade e à minha pessoa, alimenta tais tensões.”

O ex-ministro ocupava o posto de secretário executivo até a saída de Márcio França do comando do ministério no começo do mês para disputar o Senado em São Paulo. “Não reivindiquei, não articulei, não angariei apoios, não busquei patrocínio, visando a tal nomeação, porque a política, antes de ser feita em torno de personalismos, deve se fazer em torno de projetos.Com responsabilidade com o governo do qual fazemos parte, busca-se unidade e pacificação. Ainda que como secretário executivo fosse natural tão honrosa investidura, critério sabiamente afirmado pelo presidente da República, lastreada, também numa trajetória de mais de 40 anos, o certo é que precisamos, rapidamente, superar divergências e começar a trabalhar em favor do Brasil.”

A nomeação de Alencar como ministro é atribuída a uma confusão ocorrida após a saída de França, que sugeriu que o então secretário nacional de Ambiente de Negócios, Maurício Juvenal, assumisse em seu lugar, mas não obteve apoio da cúpula do PSB.

Em meio ao impasse, João Campos apresentou o nome de Pereira, seu braço-direito na direção do partido. O movimento teve o aval de França, uma vez que o advogado também é de São Paulo e transita bem entre as alas paulista e pernambucana da legenda. Antes de oficializar o nome a Lula, João Campos chegou a consultar Alencar sobre a possibilidade de ele permanecer na secretaria-executiva da pasta. Recebeu sinalização positiva.

A escolha então foi comunicada à Secretaria de Relações Institucionais, mas a cúpula do PSB foi surpreendida com a nomeação de Tadeu em 3 de abril, durante o feriado da Sexta-Feira Santa. A confusão é atribuída a uma regra definida pelo próprio Lula no início do ano, de que as pastas onde não houvesse outro nome iriam ser assumidas pelos respectivos secretários-executivos, com o objetivo de dar continuidade aos trabalhos que vinham sendo tocados.

Diante da confusão, Campos e Alckmin entraram em campo para tentar contornar um início de crise no partido. O ex-prefeito de Recife, pré-candidato ao governo de Pernambuco, se reuniu com Lula, em 10 de abril, para reafirmar sua indicação. O encontro aconteceu em São Paulo, onde o presidente cumpria agenda.