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Haddad diz que Flávio Bolsonaro é 'grave risco institucional' em sabatina O Globo/CBN/Valor

Haddad diz que Flávio Bolsonaro é 'grave risco institucional' em sabatina O Globo/CBN/Valor

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), candidato a governador de São Paulo, afirmou hoje que a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República é um "grave risco institucional" e que ele "não pode conceber" a possibilidade de ele assumir a presidência da República. Ele ainda comparou a disputa ao governo de São Paulo com Tarcísio de Freitas (Republicanos) como uma "luta de Davi contra Golias" e que seu adversário "tem o hábito de memorizar coisas que não correspondem com a realidade".

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A declaração foi dada nesta quarta-feira em sabatina do petista por jornalistas de O GLOBO, CBN e Valor Econômico. A entrevista é conduzida por Vera Magalhães, colunista de O Globo, Marcello Corrêa, editor de Política do Valor, e Guilherme Muniz, apresentador do matinal CBN São Paulo. Nesta quinta-feira (20), será a vez de Tarcísio, no mesmo horário. Os convites foram baseados no desempenho dos candidatos na pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho.

Questionado sobre se lançar sua candidatura em São Paulo, onde o PT não é favorito, colocaria a estratégia nacional de Lula em risco, Haddad disse que espera o efeito oposto.

— Eu vim para cá (candidato ao governo de São Paulo ) para não colocar. Eu penso que tem um projeto nacional e o Brasil corre um grave risco institucional na minha opinião — disse, referindo-se à campanha do principal adversário de Lula na eleição. — Eu não sei se todo mundo conhece o Flávio Bolsonaro como eu conheço o Flávio Bolsonaro, mas esse rapaz é um risco para o país. Tanto do ponto de vista econômico, social e internacional. Ele é um problema muito grande e eu não posso conceber a hipótese de ele assumir a presidência da República.

Haddad reconheceu a dificuldade que é o PT ganhar uma eleição estadual em São Paulo, mas minimizou o efeito que a eventual falta de um segundo turno na eleição estadual pode ter na disputa nacional. Com um número de candidatos reduzido em comparação aos pleitos passados, há uma possibilidade da eleição paulista ser encerrada no primeiro turno. Para o petista., isso não necessariamente interfere porque Lula já foi eleito presidente em situações em que isso ocorreu.

— Eu estou em um projeto nacional e estou também em um projeto estadual. E o projeto estadual é para levar para a população o conhecimento do que eu estudei. É um dever cívico meu como candidato de oposição esclarecer a opinião pública — disse. — Eu estou totalmente ciente do desafio que é pra mim enfrentar esse bloco que se constituiu de todo centrão e do bolsonarismo em torno do Tarcísio. O desafio está colocado e é diferente do plano nacional, em que vários partidos do centrão não aderiram à candidatura do Flávio, que ficou sozinho e precisou escolher um vice do próprio partido.

Ainda falando de temas federais, Haddad contestou a afirmação de que não houve contenção de gastos públicos quando era ministro da Fazenda. A oposição concentra críticas nesse ponto do tema econômico, diante da elevação da relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB), que Tarcísio, por exemplo, trata como uma "crise fiscal anunciada". Durante o mandato, ela cresceu de 73,5% para 81,9%, de acordo com dados do Banco Central.

— Não é verdade que não houve contenção de gastos. O primeiro ano do governo Lula teve que pagar os calotes do governo anterior, calote de precatório, do Bolsa Família. Se não fosse a PEC da Transição, o calote não iria ser pago — argumentou o candidato. — Fizemos o terceiro maior ajuste nas contas do mundo, foi reconhecido pelo FMI. O FMI é petista?

Haddad afirmou que abriu "a caixa preta dos benefícios fiscais", classificando esses incentivos tributários como "bolsa empresário" que precisavam de uma "faxina". Declarou ainda que o governo Lula repactuou a dívida com os estados, o que ofereceu espaço para investimentos de Tarcísio, algo "não reconhecido" pelo rival nas urnas. E prometeu que, se eleito governador, vai reanalisar os benefícios fiscais concedidos pelo estado.

– Eu tenho que fazer uma avaliação dos benefícios concedidos, eu vou pegar CNPJ por CNPJ e reavaliar se aquele benefício traz resultado para a sociedade ou para o empresário só, eu não vi nenhuma avaliação sendo feita de forma transparente, com estudos técnicos mostrando porque esses benefícios estão sendo concedidos – falou.

Na sabatina, Haddad falou dos cinco pilares que tem buscado abordar em sua campanha, como a educação, saúde, segurança, finanças do estado e crescimento econômico. Em relação à Sabesp, ele disse que há um "clamor" da população pela reestatização, mas afirmou que o tema é complexo.

– Eu sei desse clamor e vou estudar com muito carinho todas as possibilidades. Você estatizar uma empresa recém-privatizada é um imbróglio jurídico medonho, ou a gente revê as salvaguardas para a população ou nós vamos ter problema – disse.

Já na parte da segurança, Haddad criticou a política de segurança de Tarcísio, em especial a gestão das polícias, Militar e Civil, além da forma como o programa de câmeras nas fardas dos policiais civis foi executado. Segundo ele, o sistema das bodycams tem custo irrisório diante dos benefícios para a proteção à população vulnerável e também dos policiais na atuação diária.

– O que custa não é nada comparado com as vidas que vai salvar. Essas tecnologias estão sendo barateadas a todo tempo. Vamos ter uma tecnologia provada e aprovada que funciona. A letalidade policial subiu 80% no governo Tarcísio. A morte de policial e fora dele, inclusive por suicídio, aumentou. Tem que voltar com as câmeras, eu sou a favor disso desde 2022, e ele fica ziguezagueando.

Nas palavras do petista, o atual governador alterna suas posições sobre as câmeras "quando fica mal com a elite" ou "com as polícias". Na eleição passada, Tarcísio chegou a defender a retirada dos equipamentos dos uniformes dos PMs, sob o argumento de que os equipamentos limitavam a ação das forças de segurança. Durante o mandato, admitiu que "estava completamente errado" e defendeu o sistema de acionamento remoto pela preservação das baterias e registro de imagens mais eficiente.

Haddad reforçou na entrevista a intenção de criar uma "agência antifacção" no governo do estado, reunindo as polícias, órgãos federais e o Ministério Público. A meta, segundo ele, é "torná-la perene" através de um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), mas o gabinete pode ser criado rapidamente por uma opção do Executivo. Ele também comentou outras propostas para a eleição deste ano, como o registro de boletins de ocorrência por meio de mensagens no WhatsApp, aplicativo de mensagens popular no Brasil, de modo a reduzir a taxa de subnotificação de alguns crimes, como roubo e furto de celulares.

Ao tratar de educação, Haddad opinou pela substituição gradual de contratos temporários dos professores por concurso público. Além de investir contra o governo Tarcísio num tema sensível, que é a relação com os educadores do estado frente ao projeto de digitalização do ensino, ele previne o uso, por parte de seus opositores, de uma fala no debate da Band em que ele chama o atual governador de "concurseiro", de modo irônico.

— Para mim, o professor tem que passar por concurso público. Você não pode extinguir os contratos porque é um mundo de gente, vamos ter que fazer um processo, que não sei quantos anos vai durar, de recontratação de pessoas concursadas. Mas eu não gosto de concurso feito de qualquer jeito, a gente tem que rever as formas de fazer concurso. Sabe aquela coisa da decoreba, isso não vai funcionar para selecionar as melhores pessoas, que tenham capacidade de liderança e raciocínio.

O petista também se mostrou contrário ao modelo de escolas cívico-militares, prometido por Tarcísio para cerca de 100 unidades, distribuídas em 89 cidades do estado, mas afirmou que não pretende reverter unilateralmente a alteração feita pelo mandato do republicano.

— Eu não vou violentar a comunidade escolar, vou consultar sobre se quer manter o modelo ou não, mas eu não vou expandir. Não acredito nesse modelo, penso que o governo do estado teria que fazer uma reflexão sobre o que está acontecendo com a escola pública paulista, que não é muito trivial.

A série de três derrotas consecutivas em eleições também foi lembrada. Haddad perdeu a reeleição a prefeito de São Paulo, em primeiro turno, para o tucano João Doria, em 2016. Depois, assumiu o lugar de Lula na campanha presidencial de 2018 e perdeu para Jair Bolsonaro, do PSL. A derrota mais recente foi justamente contra Tarcísio, em 2022, ainda que os petistas acreditem que o desempenho foi determinante para a vitória de Lula.

— Para mim, fazer política é uma coisa muito cara no sentido de que eu estou defendendo um projeto. Se esse projeto não foi escolhido nas urnas, não significa que ele está errado, porque ele pode ganhar em outra circunstância. Eu prefiro estar com as pessoas certas. O Ciro Gomes já foi derrotado quantas vezes? A Marina, o Serra, o Lula. Não faço a conta pelo número de vitórias, mas pelo projeto que represento, o que estou defendendo em São Paulo.

Nesse sentido, a corrida paulista em desvantagem nas pesquisas não seria um "sacrifício". Na pesquisa Quaest do dia 29, Tarcísio aparece com 41% das intenções de voto, contra 26% de Haddad, o que aponta para uma vitória em primeiro turno do republicano. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Na quinta-feira (20), o sabatinado por O GLOBO, CBN e Valor será o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), iniciando também às 10h30. Os convites foram baseados no desempenho dos candidatos na pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho.

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