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Impasse com federação União Brasil-PP trava palanque de Flávio no Rio e deve levar PL a convenção incompleta

Impasse com federação União Brasil-PP trava palanque de Flávio no Rio e deve levar PL a convenção incompleta

A dois dias da convenção estadual do PL no Rio de Janeiro, marcada para sexta-feira, a negociação conduzida por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para manter a federação União Brasil-PP em seu palanque segue sem desfecho e deve fazer o partido chegar ao evento com a chapa incompleta. Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, a tendência é que a legenda homologue apenas as candidaturas já definidas — o deputado estadual Douglas Ruas ao governo e o senador Carlos Portinho à reeleição — deixando para um segundo momento a escolha do vice-governador e do candidato à segunda vaga ao Senado.

Apesar de ainda apostar em um acordo, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, admite que a manutenção da federação no palanque fluminense está longe de ser garantida.

— Difícil, vamos trabalhar — afirmou ao GLOBO.

A indefinição é resultado de uma sequência de reveses enfrentados pelo PL na montagem da chapa fluminense. O primeiro envolveu a disputa pelo Senado. O partido havia reservado a segunda vaga da chapa para um nome do União Brasil, mas a negociação travou depois que o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, escolhido pela sigla, foi preso em flagrante por porte ilegal de um fuzil durante uma operação da Polícia Federal. Embora tenha sido posteriormente colocado em liberdade por decisão do Supremo Tribunal Federal, com medidas cautelares, integrantes do PL passaram a considerar que sua candidatura havia perdido viabilidade política e defenderam que o União apresentasse um novo nome.

A resistência do União Brasil em abrir mão de Canella aprofundou o desgaste entre os partidos. Como mostrou a colunista Bela Megale, dirigentes da legenda passaram a tratar a manutenção do ex-prefeito na chapa como condição para seguir na aliança com Douglas Ruas. No PL, porém, a avaliação é que a exigência funciona sobretudo como instrumento de pressão nas negociações e fortaleceu, dentro da federação, o movimento favorável ao desembarque da aliança no Rio.

O cenário se agravou no último fim de semana, quando o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) desistiu da candidatura a vice de Douglas Ruas. A saída retirou da chapa o principal nome indicado pela federação e ampliou as dúvidas sobre a permanência de União Brasil e PP no palanque do PL.

É justamente para evitar esse desfecho que Flávio Bolsonaro passou a conduzir pessoalmente a negociação com os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda. A avaliação da campanha é que o destino da chapa fluminense depende da decisão nacional da federação. Se União Brasil e PP aderirem à candidatura presidencial de Flávio, a tendência é que a aliança seja preservada no Rio. Caso optem pela neutralidade, dirigentes do PL admitem que será difícil mantê-los ao lado de Douglas Ruas.

A reunião entre Flávio e Ciro, marcada para esta quarta-feira, é tratada pela campanha como a última tentativa de reverter esse cenário. Nos bastidores, porém, o ambiente é considerado desfavorável. Segundo interlocutores, Ciro consultou os diretórios estaduais do PP e encontrou amplo apoio à neutralidade. Integrantes da legenda afirmam que cerca de 90% das manifestações defenderam que o partido não apoie nenhum candidato à Presidência no primeiro turno.

Na noite de terça-feira, o presidente do PP reuniu integrantes da Executiva Nacional, entre eles Tereza Cristina, Dr. Luizinho, Eduardo da Fonte e Ricardo Barros, para consolidar a posição que levará ao encontro com Flávio.

Mesmo diante desse quadro, aliados do senador afirmam que ele chega disposto a ampliar as concessões. Segundo interlocutores, a negociação entrou na fase do “tudo ou nada”. A campanha admite discutir a composição da chapa presidencial, ministérios estratégicos em um eventual governo e até a revisão de acordos estaduais para acomodar interesses da federação.

Enquanto a negociação segue aberta, o PL decidiu adiar as definições pendentes da chapa. A avaliação da direção nacional é que preencher agora a vice ou a segunda vaga ao Senado poderia dificultar uma eventual recomposição com a federação. Por isso, a convenção deverá homologar apenas Douglas Ruas, Carlos Portinho e as chapas proporcionais.

A interlocução no estado vem sendo conduzida pelo presidente do PL fluminense, Altineu Côrtes, que se reuniu nos últimos dias com o presidente estadual do PP, Dr. Luizinho, e também conversou com Antonio Rueda. A expectativa da direção do partido é que, caso a negociação nacional avance, União Brasil e PP indiquem novos nomes para a chapa já na próxima semana.

Nos bastidores, dirigentes afirmam que a vaga de vice precisa “decantar” antes da escolha de um substituto para Rogério Lisboa. A preferência da cúpula do PL é que o posto seja ocupado por uma mulher, mas a decisão foi condicionada ao desfecho da negociação com a federação.

Reservadamente, porém, dirigentes reconhecem que o prolongamento das indefinições beneficia politicamente o prefeito Eduardo Paes (PSD), que chega ao período das convenções com uma coalizão praticamente consolidada. A avaliação é que, enquanto o adversário entra na campanha com o palanque definido, o PL segue concentrado em resolver impasses internos e costurar alianças no berço político de Flávio Bolsonaro.