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Jogo Político: campanha de Flávio debate prometer indicação de mulheres ao STF, mas ideia é descartada

Jogo Político: campanha de Flávio debate prometer indicação de mulheres ao STF, mas ideia é descartada

Consultor de imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL), o publicitário Eduardo Fischer apresentou uma ideia para o núcleo duro da campanha presidencial nos últimos dias diante da rejeição no eleitorado feminino: o pré-candidato poderia prometer a indicação de mulheres para duas das quatro vagas previstas no Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos quatro anos. Além da cadeira de Luís Roberto Barroso — ainda vazia porque o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias —, as aposentadorias de Luiz Fux (2028), Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030) abrirão espaço na Corte.

O plano de Fischer, contudo, foi rechaçado — Flávio e seu entorno não querem se comprometer com espaços no Tribunal durante a campanha. Até porque um dos partidos que tenta trazer para a sua aliança, o Republicanos, tem um eterno candidato ao STF. O presidente da sigla, Marcos Pereira, advogado e bispo licenciado, almeja a vaga desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Depois da guerra declarada com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, são muitas as iniciativas apresentadas com o espírito de aproximar Flávio das mulheres. Nas últimas semanas, a pré-campanha se apressou em mostrar que metade dos projetos de lei apresentados pelo senador este ano mirou questões de gênero, além de ter estimulado a especulação de vários nomes femininos para ocupar a vaga de vice na chapa. Na semana que vem, Flávio vai lançar o plano “Brasil com elas”, que consiste em uma série de promessas voltadas para o segmento em que alcança 53% de desaprovação, segundo a última pesquisa do Datafolha. Além disso, será ampliada a participação de Fernanda, mulher de Flávio, em eventos e vídeos para as redes.

Mesmo com as iniciativas, a estratégia de comunicação do senador continua alvo de críticas da equipe antecessora de Fischer. O publicitário e ex-policial civil Marcello Lopes, o Marcelão, dono da Cálix Propaganda, foi desligado da campanha em maio, mas segue conversando com Flávio por telefone diariamente. Amigo pessoal e frequentador da mesma igreja evangélica do senador — a Comunidade das Nações, em Brasília —, Marcelão deixou o posto de chefe da comunicação depois da divulgação dos áudios do presidenciável pedindo dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro.

Marcelão acha que Flávio demorou demais a desautorizar o influenciador Paulo Figueiredo. Em um vídeo de ataques a Michelle, o aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro disse que “mulher vota estatisticamente muito mal”, e o senador só foi dizer que não concordava com a frase seis dias depois. Outro erro da campanha, na opinião do dono da Cálix, foi a divulgação de um vídeo feito a partir de inteligência artificial de Flávio e o pai retratados como militares a bordo de um avião miliar durante uma operação. Nas imagens, o senador aparece atirando contra embarcações identificadas com as siglas do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV). Uma terceira embarcação exibe a sigla do PT. Marcelão acha que o conteúdo não ajuda em nada na necessidade do momento de atrair o apoio do eleitorado feminino.

O fogo amigo de aliados contra Eduardo Fischer ainda vem alertando a campanha contra ideias heterodoxas discutidas internamente para fazer pagamentos ao publicitário pelo trabalho de consultoria. No mês passado, a Justiça de São Paulo determinou a penhora dos pagamentos a serem feitos pelo PL a Fischer em uma ação na qual a empresa DFB Participações cobra uma dívida de R$ 114 milhões do publicitário. O debate sobre subcontratar Fischer usando outra empresa prestadora de serviços da campanha para fugir da penhora já foi feito. Em campanha aberta contra o publicitário, o grupo ligado a Marcelão já alertou Flávio que o mecanismo pode gerar problemas futuros com o Judiciário.

Recomendo

  • 'Malu'

Cheguei tarde aqui, mas ainda bem que o colega Miguel Caballero me indicou esse filme enquanto papeávamos no Galeto Sat's em um fim de noite. Nunca é tarde para ver ou ler coisa boa. Um trabalho muito bonito e emocionante disponível no Globoplay.

O longa de 2024 conta a vida de Malu, uma atriz desempregada de meia-idade que vive em condições precárias na periferia. Ela lida com constantes conflitos internos existenciais e com outras duas mulheres: a sua mãe, uma senhora conservadora e racista; e a sua filha, uma jovem que retorna de uma temporada na França com olhar crítico sobre toda a realidade familiar que deixou no Brasil.

"Malu" é baseado na vida de Malu Rocha, mãe do diretor do filme Pedro Freire. Depois de ver o longa, você, leitor, precisa ler o texto excepcional de Freire publicado na revista piauí de dezembro de 2024 sobre a relação dele com a mãe que inspira a sua obra. Uma curiosidade que só soube depois: Malu foi casada com o ator Herson Capri. Os dois se separaram e passaram vinte anos sem se falar, revela Freire.

Cheio de traumas da relação complexa com a mãe, o diretor juntou em um único personagem ele próprio e sua irmã. Neste trecho que peguei da piauí, Freire explica o seu processo criativo para produzir o roteiro com essa pegada:

"Decido tirar o personagem Pedro do filme: entendo que não devo fazer um filme apenas para mim, mas principalmente para o público. Não pode ser uma constelação familiar gigante, tem que ser um relato sobre a Malu Rocha, para que todos possam conhecê-­la. Decido amalgamar Pedro e Isadora em uma única personagem, que chamo de Joana. Assim posso misturar nossas memórias e também ter a liberdade de criar sem amarras. Separo o joio do trigo: as memórias que não servem a essa narrativa eu levo para a minha analista. Ficam no papel só as que merecem se tornar cinema. Escrevo boa parte do desenvolvimento num café perto de minha casa, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Muitas vezes as pessoas à minha volta olham para mim preocupadas, pois estou chorando aos soluços. Será que morreu alguém? Morreu, mas faz tempo, hoje é só uma cena nova que eu estou abrindo, e é muito difícil".

No fim, Freire fala da importância da obra que construiu em seu processo de reconexão com o passado. Como disse a sua irmã, o filme "valeu mais para ela do que muitos anos de terapia".

"Hoje acredito que consigo sentir por minha mãe – e também por minha avó – um carinho enorme, que durante décadas bloqueei. A realização desse filme acabou se tornando um processo de autocura. Mas esse não foi meu objetivo – foi uma consequência."

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