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Depois de desobedecer o PL nas eleições de 2024 ao apoiar Eduardo Paes (PSD) e Rodrigo Neves (PDT) para as prefeituras de Rio e Niterói contra os correligionários Alexandre Ramagem e Carlos Jordy, o senador Romário mais uma vez tornou-se infiel ao (agora ex-)partido. Em conversas com aliados essa semana, afirmou que quer apoiar Paes para governador na disputa contra o deputado estadual Douglas Ruas (PL).
O problema é que, desta vez, o PL do Rio não estava disposto a aceitar o movimento. Baseado em uma resolução aprovada no ano passado pela Executiva Nacional do partido que proíbe filiados com mandato eletivo de apoiarem candidatos de outras legendas, a sigla passou a ameaçar expulsar o parlamentar. Ciente da insatisfação, Romário formalizou o desligamento em nota oficial divulgada neste sábado, antecipada pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim.
O ex-jogador e o PL não falam a mesma língua desde a campanha de 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou apoio ao ex-deputado federal Daniel Silveira, então filiado ao PTB, para o Senado. Romário venceu aquela eleição com 2,3 milhões de votos, mas Silveira obteve 1,5 milhão de votos mesmo tendo sido tornado inelegível pela Justiça Eleitoral. O ex-parlamentar — condenado por ameaça ao estado democrático de direito — chegou a aparecer como opção na urna para o eleitor, mas sua votação foi anulada.
Desde que Lula assumiu, Romário não se alinhou a opiniões do PL no Congresso. Em 2023, o senador votou contra uma PEC que limitava os poderes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), agenda defendida pelo bolsonarismo assim como o impeachment de integrantes da Corte. Há dois meses, Romário se posicionou a favor do fim da escala 6x1, uma das principais apostas do governo Lula para alavancar a popularidade no segundo semestre.
Em 2024, Paes chegou a dar declarações públicas sugerindo a filiação do senador ao PSD — “Tapete vermelho para ele”, disse em entrevista ao GLOBO enquanto Romário sofria críticas por não apoiar Ramagem para a prefeitura do Rio. Nos últimos dias, o convite voltou ser feito, mas os planos que o ex-jogador expôs para o grupo do ex-prefeito são outros. Ele acha melhor ficar sem partido até o término da eleição presidencial em outubro.
Mesmo sem ir para o PSD, Romário espera ter espaço para indicações em uma secretaria estadual de Esportes de um futuro governo Paes. Nos últimos dois anos, a boa relação com o grupo político ligado ao ex-prefeito garantiu ao senador patrocínios a torneios cariocas de futevôlei — o esporte é a sua paixão desde os tempos de atleta. No ano passado, um projeto de lei da sua autoria foi aprovado no Senado reconhecendo o futevôlei oficialmente como modalidade esportiva.
O rompimento de Romário com o PL também mira a eleição de 2030, quando o senador completará 16 anos na Casa. Uma vaga apenas estará em disputa e, caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) perca a eleição presidencial este ano, também desejará o posto. Na avaliação de aliados de Romário, a prioridade na legenda seguirá da família Bolsonaro, e não do ex-jogador.
O posicionamento de Romário na corrida ao Planalto ainda é uma incógnita. No ano passado, um vídeo falso circulou nas redes bolsonaristas atribuindo ao senador frases falsas de apoio a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. Em nota, ele se manifestou negando as declarações, mas nunca deixou claro quais as suas opiniões sobre o terceiro mandato do petista e das decisões do STF contra Bolsonaro.
Romário é um raro caso de político que não dá entrevistas sobre política. Sua assessoria de imprensa só aceita colocá-lo na frente de jornalistas para falar de futebol. O estilo levou o presidente Lula (PT) a elogiá-lo recentemente na TV:
— Não quero saber de que partido ele está. Eu gosto da irreverência dele e do jogador de futebol que ele foi. — disse, em entrevista ao “Sem Censura”.
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