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Lula alfineta Trump em fala a diretor da OMS: 'Como um país que não é rico como os EUA consegue garantir tratamento de saúde?'

Lula alfineta Trump em fala a diretor da OMS: 'Como um país que não é rico como os EUA consegue garantir tratamento de saúde?'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alfinetou o presidente americano Donald Trump durante uma agenda no Rio de Janeiro, na qual acompanhou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma visita ao Hospital Federal do Andaraí. Dirigindo-se a Tedros, o petista criticou Trump por anunciar cortes nas verbas dos Estados Unidos destinadas à OMS e fez elogios ao Sistema Único de Saúde (SUS).

— Quando você puder conversar com o presidente Trump, que anunciou que ia cortar a verba da Organização Mundial da Saúde, diga a ele como é que um país que não é rico como os Estados Unidos consegue garantir a cada cidadão brasileiro o mesmo tratamento de saúde que terá um presidente da República. Aqui, uma pessoa pobre que precisar fazer radioterapia fará o mesmo tratamento que o Trump fará, que o Xi Jinping fará, que o Putin fará — disse Lula.

Após a fala, o petista retirou o chapéu e mostrou o couro cabeludo aos presentes. Ele concluiu, em junho deste ano, um ciclo de 15 sessões de radioterapia preventiva após retirar da região um carcinoma basocelular, um tipo de câncer de pele diagnosticado.

Além de Tedros e Lula, estiveram no evento o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT) e o governador em exercício do Rio, o desembargador Ricardo Couto. Antes do discurso, o presidente conheceu ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), unidades odontológicas móveis e motocicletas utilizadas no atendimento de emergência.

No discurso, Lula afirmou que convidou o diretor-geral da OMS para conhecer de perto o SUS e 'mostrar ao mundo que é possível oferecer atendimento de qualidade à população, independentemente da renda'. Entre elogios à rede federal de saúde do Rio, o petista aproveitou o evento para fazer críticas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

— Não tinha médicos, não tinha quase nada. Até o estacionamento dos hospitais federais os funcionários tinham que pagar para colocar o carro porque isso era administrado pela família Bolsonaro. Esse é o dado concreto — declarou.

No evento, Tedros, que recebeu um Cartão do SUS entregue pelo ministro Alexandre Padilha, também classificou a saúde como uma decisão política e elogiou o compromisso do Brasil e do petista com o acesso universal.

— Saúde é sempre uma escolha política e precisa de compromisso político. O SUS é um dos raríssimos sistemas do mundo que cobre toda a população. O Brasil mostra ao mundo que um sistema universal funciona — disse.

Diretor-geral da OMS recebe cartão do SUS de Padilha e Lula — Foto: Domingos Peixoto
Diretor-geral da OMS recebe cartão do SUS de Padilha e Lula — Foto: Domingos Peixoto

Também presente no evento, o governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, afirmou que não compareceu ao evento para fazer "campanha política". Ele afirmou ainda que pretende continuar comparecendo a agendas conjuntas entre os governos federal, estadual e municipal sempre que houver anúncios de investimentos na saúde.

— Quando eu venho aqui, eu não venho para fazer campanha política para A, para B ou para C, até porque não faz parte da minha índole. Venho aqui para pedir a todos que tenham senso de responsabilidade no momento em que forem chamados a fazer a escolha. Façam a opção adequada — afirmou.

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