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Lula diz que PCC e CV são 'terroristas para os brasileiros' e não 'como Trump quer'

Lula diz que PCC e CV são 'terroristas para os brasileiros' e não 'como Trump quer'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Em discurso, Lula afirmou que as facções são uma ameaça para a população brasileira, mas rejeitou a forma como o governo do presidente Donald Trump trata o tema e disse que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelo próprio Brasil.

— Hoje eu estou muito triste, hoje é um dia decepcionante. Estou muito triste com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção — afirmou.

Lula destacou o impacto das facções sobre comunidades brasileiras, especialmente nas periferias, mas reforçou que elas não se enquadram no conceito de terrorismo frequentemente utilizado pelos Estados Unidos para grupos extremistas internacionais.

— Esse tal de Comando Vermelho, esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade, para o povo da periferia deste país. Eles incomodam famílias, bairros e cidades. Então eles são terroristas e nós vamos combater eles aqui dentro. Nós aprovamos uma lei antifacção e uma lei de combate ao crime organizado. Eles não são os terroristas que o Trump quer — declarou.

Na sequência, o presidente afirmou que os Estados Unidos poderiam colaborar com o Brasil por meio de cooperação policial e da extradição de brasileiros procurados pela Justiça.

— Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos — disse Lula, ao citar o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, e o empresário Ricardo Magro. — Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fossemos uma republiqueta.

O presidente também afirmou que entregou pessoalmente a Trump um documento propondo cooperação bilateral contra o crime organizado durante reunião entre os dois líderes no começo deste mês. Ele fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, sem citar o o nome do adversário.

— Eu tive três horas com o presidente Trump. Entreguei quatro documentos, um deles era o combate ao crime organizado. O seu Marco Rubio não estava lá. Possivelmente porque ele estivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidato a eleição aqui nesse país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria. De ir aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil.

O presidente também relacionou o episódio à defesa da soberania nacional. Segundo ele, o Brasil possui riquezas estratégicas que exigem atenção do governo brasileiro, como minerais críticos, terras raras, água doce e a Floresta Amazônica.

— Isso aqui não é um país qualquer. Temos muitos minerais críticos, terras raras, ouro, diamante, a maior floresta tropical do mundo e 12% da água doce do planeta. Daqui a pouco ele diz: 'a Amazônia é nossa'. Não — afirmou.

Ao final, Lula disse que o Brasil manterá uma relação respeitosa com os Estados Unidos, mas não aceitará interferências externas.

— Eu não falo grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos. Eu falo educadamente com os dois porque eu quero respeito e preciso ter respeito para respeitá-los. Não brinquem com a soberania deste país, não brinquem com a nossa democracia — declarou.

O presidente ainda defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como instrumento para fortalecer o combate ao crime organizado no país.

— Se quiser combater o crime organizado, não precisa pedir ajuda para ninguém. Aprove a PEC da Segurança Pública — afirmou.