O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu que as centrais sindicais tenham uma posição mais dura no enfrentamento à postura de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no debate sobre as tarifas impostas pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros.
A Fiesp atribuiu ao governo de Lula a responsabilidade pela decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações brasileiras.
Em nota divulgada na semana passada, a entidade disse que "ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington" comprometeram a relação bilateral e contribuíram para a adoção da medida.
A cobrança foi feita por Lula ao presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, durante a convenção do PDT na segunda-feira que oficializou apoio do partido à reeleição do petista. O GLOBO registrou o momento em que o presidente da República conversou com Neto, no palco do evento, após ele discursar. Procurado, Neto afirmou que o presidente pediu uma postura de enfrentamento das centrais.
— Ele disse que as centrais precisam ir lá na porta da Fiesp. A gente discutiu se iria ou não. Eu disse que nós estamos fazendo o enfrentamento. Só não fomos para a porta para não promover o Skaf. Esse cara parece que perdeu a vergonha na cara— afirmou Neto.
Lula pede a sindicalista críticas mais duras a presidente da Fiesp
O evento da segunda-feira oficializou o apoio do PDT à reeleição de Lula. O partido foi o primeiro a declarar endosso ao petista. O ato foi marcado por críticas a Trump e pela defesa da soberania brasileira, que deverá ser uma das principais bandeiras de Lula na campanha eleitoral.
Em sua fala, o chefe do Executivo desafiou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a montar um comitê no Brasil para apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula nas eleições.
— Hoje não temos um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil — disse Lula: — Se o secretário de estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar meu adversário, que venha, que monte o comitê, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país.