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Lula sobe em palanque com Jaques Wagner na Bahia e exalta histórico eleitoral de aliado investigado no caso Master

Lula sobe em palanque com Jaques Wagner na Bahia e exalta histórico eleitoral de aliado investigado no caso Master

Uma semana depois de deixar a liderança do governo no Senado por ser alvo de investigações no caso Master, Jaques Wagner (PT-BA) participou nesta quarta-feira de um evento ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Alagoinhas, na Bahia. Junto com o governador Jerônimo Rodrigues e com o ex-ministro Rui Costa, os dois compareceram à inauguração do Hospital Estadual do Litoral Norte do estado.

Lula exaltou a trajetória política do aliado na Bahia, o chamou pelo apelido de "Galego" e o colocou num grupo de "companheiros de longa data" no estado, que incluiu também Rui Costa, Jerônimo, deputados e o senador Otto Alencar (PSD-BA).

O presidente relembrou que Wagner era ministro do Trabalho de seu primeiro governo, quando decidiu deixar o cargo para concorrer a governador contra o grupo do ex-governador Antônio Carlos Magalhães.

— Eu achava impossível o Galego ser candidato aqui e ganhar. Falei: "você é louco, cara, vai fazer uma aventura de enfrentar o carlismo?". Ele falou: "vou". Falei: "Wagner, você vai perder as eleições". E não é que o Galego veio e ganhou no primeiro turno as eleições?

Na sequência, Lula recordou a reeleição de Wagner e as eleições dos petistas Rui Costa em 2014 e 2018 e de Jerônimo Rodrigues, ex-secreário estadual de Educação, em 2022.

— Depois se reelegeu no primeiro turno, elegeu o Rui no primeiro turno, reelegeu o Rui no primeiro turno outra vez. E agora quem é que acreditava que o Jerônimo fosse eleito? Aliás, eu lembro que a educação não ia bem aqui. Eu falava assim: "o Jerônimo vai perder". E o Wagner falava: "ele vai ganhar".

O presidente ainda recordou o episódio em que ACM Neto, adversário de Jerônimo na eleição de 2022, se declarou negro.

— O teu adversário (se referindo a Jerônimo) é tão mentiroso que ele chegou a querer se passar por negro.

Ao falar sobre os seus aliados na Bahia, Lula recorreu a uma frase que costumar usar:

— Nem todo irmão é amigo, mas todo amigo é um irmão. Essas pessoas ao longo da vida têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser o que eu sou

Wagner também discursou no evento, mas não tratou da sua saída do governo nem das investigações sobre as suas ligações com o ex-banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Já o senador Otto Alencar (PSD-BA) fez "uma homenagem especial" ao ex-líder do governo. Disse que se disputasse uma eleição junto com Wagner, pediria voto para o aliado e não para ele próprio. O parlamentar ainda fez uma menção indireta ao caso do colega:

— Você (Jaques) é um irmão que eu conheci na caminhada da vida pública. Admiração muito grande. Com sua história, ao lado do presidente, não precisa nada, o povo vai explicar isso no dia 4 de outubro, com fé em Deus, Jaques Wagner.

Este ano, pela primeira vez desde 2022, Lula não participará das comemorações da Independência da Bahia no dia 2, celebração que tem ampla participação popular. A justificativa do governo é que o presidente não deve se expor por muito tempo ao sol por causa do câncer de pele que teve na cabeça em abril. No evento desta quarta-feira, Lula justificou que precisa entregar obras antes de 4 de julho, data limite imposta pela legislação eleitoral, por isso irá ao Rio Grande do Norte inaugurar uma adutora do projeto de transposição do Rio São Francisco e por isso não poderá estar nos festejos da Independência da Bahia. A comemoração da data é marcada por uma caminhada pelas ruas de Salvador. Wagner, que tentará a reeleição em outubro, deve comparecer.

O senador deixou a liderança do governo depois de se reunir por duas horas com Lula no Palácio do Alvorada no dia 24. A decisão foi uma tentativa de estancar o impacto na campanha à reeleição da investigação sobre a suposta atuação do parlamentar a favor do Banco Master em troca de "vantagens indevidas". Em publicação nas redes sociais após o encontro, Wagner afirmou que a decisão foi de "comum acordo" e chamou a reunião com Lula de "conversa entre amigos".

O parlamentar havia sido aconselhado por aliados próximos, especialmente do PT da Bahia, a deixar o posto para focar em sua defesa e preservar Lula do desgaste político maior às vésperas da eleição. Interlocutores do presidente afirmam que o senador pediu para deixar o cargo, como desejava o presidente.

Desde a operação da PF, no dia 18, aliados de Lula no Congresso e no Palácio do Planalto passaram a defender que o senador deixasse a liderança no Senado. Governistas apontaram o “constrangimento” com o cumprimento de mandados de busca e apreensão, o que incluiu a divulgação de uma foto de US$ 49 mil em espécie encontrados em um endereço ligado a Wagner em Brasília. Ao todo, levando-se em conta também o montante em dólares e euros encontrados em um endereço do senador em Salvador, os agentes da PF recolherem o equivalente a R$ 482 mil, de acordo com a cotação atual.

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