O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) testou na noite de segunda-feira o discurso de campanha que deverá ser usado nos próximos meses para abordar a relação da família Bolsonaro com o governo de Donald Trump. Em convenção do PDT, o petista reagiu ao tarifaço a produtos brasileiros e desafiou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a montar um comitê para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em Brasília, durante convenção do PDT, Lula sugeriu que os Estados Unidos podem interferir no processo eleitoral brasileiro, uma das preocupações do Palácio do Planalto.
Ao justificar o tarifaço, Rubio disse que a medida foi tomada porque Lula priorizou "o próprio ego" durante as negociações.
Na noite de segunda-feira, o presidente brasileiro reagiu.
— Hoje não temos um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil — disse Lula: — Se o secretário de estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar meu adversário, que venha, que monte o comitê, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país.
O tema da soberania permeou os discursos de pedetistas e do próprio Lula.
— Temos que dizer, em alto e bom som, que nada é mais sagrado do que, neste momento histórico, a defesa da soberania nacional. Precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho. Este país foi criado e construído por brasileiros. Somos o que somos com 350 anos de escravidão, pela mantaça de indígenas, mas queremos uma coisa sagrada (a sobenaria). Aqui nós erramos por nós. Nós acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. Aqui nós decidimos que fazer, porque isso significa a gente voltar a andar de cabeça erguida e defender a nossa soberania — discursou Lula.
Antes de Lula discursar na convenção nacional do PDT, o presidente da sigla e ex-ministro da Previdência de Lula Carlos Lupi falou sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos após a imposição de um tarifaço sobre produtos nacionais.
Lupi também citou Leonel Brizola, fundador do partido e que teve idas e vindas na relação com Lula.
— Você representa hoje o único antídoto à desgraça chamada (Donald) Trump. O senhor resgata a história do povo brasileiro, de (Leonel) Brizola, dos brasileiros que morreram servindo a nação. O senhor é um patriota — disse Lupi: — O PDT vai apoiar o senhor desde o primeiro turno. Uma satisfação pessoal minha.