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Michelle grava vídeo com aceno a Flávio e crítica a aliados do PL no Ceará por apoio a Ciro Gomes

Michelle grava vídeo com aceno a Flávio e crítica a aliados do PL no Ceará por apoio a Ciro Gomes

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira que foi “maltratada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após se posicionar contra uma aliança entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Michelle disse que o enteado a tratou com rispidez ao telefone e afirmou que ela deveria ficar fora das decisões partidárias por não entender de política.

Segundo Michelle, a ligação ocorreu horas depois de ela tornar públicas as críticas às negociações com Ciro. Ela afirmou que tentou contato com Flávio por telefone e que, quando ele retornou, ouviu que seria melhor não interferir nos rumos do partido.

— Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política — afirmou.

Em outra parte do vídeo, Michelle detalha o atrito que teve com Flávio após se posicionar contra uma aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará. A ex-primeira-dama afirma que ficou surpresa ao ver publicações do senador em defesa da articulação e diz que ele e os irmãos, Carlos e Eduardo Bolsonaro, fizeram ataques "de forma coordenada", sem antes procurá-la para conversar.

— Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tom agressivo, defendendo o André Fernandes e, em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele, a mãe e seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides. E não foi só ele. Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros. Pareceu combinado, premeditado — afirmou.

Michelle contou que tentou ligar para Flávio após as críticas públicas, mas que o senador não atendeu às primeiras ligações. Segundo ela, quando o enteado retornou o contato, a conversa foi marcada por cobranças e críticas à sua atuação política.

A ex-primeira-dama afirmou ainda que, depois da conversa, decidiu "se recolher" e que nunca mais procurou o senador. Segundo ela, Flávio também não voltou a abordá-la sobre o assunto.

— Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi (...) Desde esse dia, ele não me procurou mais. Eu também não procurei, porque estou respeitando o que ele falou — afirmou.

Apesar das críticas, Michelle afirmou que não guarda rancor do enteado e disse que apoiou sua escolha como pré-candidato à Presidência, determinada pelo próprio Bolsonaro. Ela ainda disse que "não manda recados" e que quando tem algo a dizer, fala diretamente.

A ex-primeira-dama também subiu o tom contra integrantes do próprio partido no Ceará por negociações para apoiar o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual.

O vídeo foi divulgado em meio ao embate interno no PL sobre a estratégia eleitoral no Ceará. Michelle saiu em defesa da vereadora Priscila Costa, presidente do PL Mulher no estado, e do senador Eduardo Girão (Novo-CE), pré-candidato ao governo cearense apoiado por setores do bolsonarismo.

Segundo a ex-primeira-dama, ela e Jair Bolsonaro defendiam que o partido lançasse Priscila ao Senado e apoiasse Girão na disputa pelo governo. Michelle afirmou que a definição teria sido feita por ela, pelo ex-presidente e pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

— Essa candidatura foi muito bem definida por três pessoas. Meu marido, eu e o presidente Valdemar. Não foi sugestão. Foi preferência, foi decisão — disse.

Sem citar diretamente o deputado André Fernandes (PL-CE), Michelle acusou aliados locais de trabalharem para retirar Priscila da disputa e ceder sua vaga em uma composição política envolvendo Ciro Gomes.

— Aproveitando-se da prisão do Jair, começaram a trabalhar para eliminar a Priscila da disputa, cedendo a vaga dela para garantir uma aliança com o Ciro Gomes — afirmou.

A ex-primeira-dama também questionou por que a vaga destinada a Priscila seria utilizada nas negociações, e não a reservada ao pai de André Fernandes, que também é cotado para concorrer ao Senado.

— Se o André queria agradar o Ciro Gomes, por que ele não ofereceu a vaga do seu próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil? — declarou.

Michelle ainda classificou como "traição" eventual descumprimento da orientação de Bolsonaro para manter Priscila na disputa. Segundo ela, o ex-presidente teria enviado um recado à direção do partido e ao senador Rogério Marinho (PL-RN) defendendo a candidatura da aliada.

— Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro. Venha de quem vier — afirmou.

As declarações retomam uma disputa que mobiliza o entorno do ex-presidente desde o ano passado. Em dezembro, Michelle se posicionou publicamente contra as negociações conduzidas para construir uma aliança entre o PL e Ciro Gomes no Ceará. À época, as tratativas tinham o aval de Bolsonaro e eram defendidas por lideranças locais como uma alternativa para ampliar as chances da oposição contra o governador Elmano de Freitas (PT).

Michelle, no entanto, argumentou que não poderia apoiar um político que, segundo ela, atacou reiteradamente Bolsonaro e ajudou a consolidar narrativas contra o ex-presidente. O posicionamento gerou forte reação dentro da própria família Bolsonaro.

O senador Flávio Bolsonaro chegou a classificar a postura da madrasta como "autoritária" e afirmou que ela havia atropelado uma decisão previamente autorizada pelo ex-presidente. Carlos e Eduardo Bolsonaro também saíram em defesa da articulação conduzida pelo diretório cearense.

Dias depois, porém, Flávio recuou e pediu desculpas a Michelle. O PL acabou suspendendo as negociações com Ciro, mas o debate voltou à tona nos últimos meses diante das articulações para as eleições de 2026 no estado.

No vídeo divulgado nesta quarta-feira, Michelle também defendeu que o PL apoie Girão ao governo estadual, a quem classificou como o único representante das pautas conservadoras na disputa.

Na gravação, Michelle faz um balanço de sua atuação à frente do PL Mulher e afirma que o trabalho de mobilização feminina realizado desde 2023 tem ajudado a fortalecer o projeto eleitoral do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com quem não tem uma relação de proximidade.

— Fico feliz quando vejo esse fruto chegando a todos, incluindo ao pré-candidato Flávio, que hoje é bem recebido e apoiado por nossas meninas do PL Mulher nos estados — afirmou.